Fespa Brasil 2019: números, congressos e Cambea9

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 08/04/2019
Evento atraiu quase 19 mil visitantes em 2019

Evento atraiu quase 19 mil visitantes em 2019

A APS Eventos Corporativos, organização da Fespa Brasil 2019, feira que ocorreu entre os dias 20 e 23 de março, em São Paulo, divulgou os números da exposição. Foram 18.645 visitantes únicos que passaram pelo Pavilhão Azul do Expo Center Norte durante os quatro dias do evento. A área de exibição de tecnologias foi ampliada e registrou crescimento superior a 30%.

Alexandre Keese, diretor da Fespa Brasil e da APS Eventos Corporativos, declarou: “Apresentando as transformações dentro do mercado de impressão digital, a Fespa Brasil 2019 reuniu novas tecnologias, aplicações, substratos, acabamentos, softwares para a parte de gestão e tudo o que existe de mais moderno, para que o profissional da área ganhe eficiência. A feira demonstrou o quanto a impressão digital agrega valor e abre oportunidades. Foram quatro dias de novidades, tendências e debates. O visitante encontrou soluções que podem ser aplicadas e introduzidas em suas empresas”.

O CEO da Fespa Global, Neil Felton, também ficou exultante em relação aos resultados da feira realizada em março: “Estamos extremamente felizes com o sucesso da edição de 2019. A visitação foi fantástica, todos os dias com corredores lotados e negócios gerados. E novamente cumprimos nossa missão através do programa Profit for Purpose (Lucro por um Propósito), de reinvestimento dos lucros da Fespa no mercado de impressão, ao promover novamente os congressos gratuitos. Estamos plenamente satisfeitos com o resultado alcançado e na expectativa de superar as marcas em 2020”.

Os preparativos para a Fespa Brasil 2020 já começaram. Sob o tema “O Poder da Impressão”, a feira será realizada no Pavilhão Azul do Expo Center Norte, em São Paulo, de 18 a 21 de março.

Congressos técnicos

A Fespa e a APS Eventos Corporativos ofereceram aos visitantes uma série de iniciativas gratuitas durante a feira. Por dois dias, o congresso Inteligência Gráfica tratou das questões estratégicas do negócio de impressão. Na Academia de Impressão Digital, em parceria com o Senai, foi possível conhecer práticas de pré-impressão, impressão e acabamento. O Fespa Digital Textile Conference foi promovido pela quinta vez. Tratou de conceitos relevantes para quem atua com estamparia digital, nos segmentos de moda, sinalização e decoração.

Alexandre Keese falou sobre o objetivo das iniciativas: “Acreditamos que o conteúdo de alta relevância agrega muito aos novos profissionais que estão visitando a feira. Por isso, convidamos empresários e pessoas renomadas para compartilhar conhecimento e trazer oportunidades de negócio. Tivemos a parte técnica com a Academia da Impressão Digital; o congresso Inteligência Gráfica com novos modelos de gestão; a estamparia digital e a impressão direta no tecido cobertas pelo Digital Textile Conference, uma iniciativa Fespa que acontece ao redor do mundo e ganha cada vez mais importância. Outro ponto forte foi a Ilha da Sublimação, com palestras e soluções sendo demonstradas”.

Evento oefereceu palestas grátis sobre tecnologia e gestão

Ilha da Sublimação

Na Ilha da Sublimação, os visitantes acompanharam palestras por quatro dias em um auditório sempre lotado. Alex Falcão, sócio-proprietário da ComunidadeWEB, parceiro na organização da Ilha, declararou: “Nosso propósito em participar de feiras voltadas ao grande formato é mostrar a crescente importância do pequeno formato, que vem sendo inserido com o peso que merece no mercado, em sublimação, transfer e artesanato. O segmento vem apresentando resultados diferenciados, com um produto final de excelência. A Ilha da Sublimação unificou e fortaleceu este movimento.”

Cambea9: WS Adesivações é bicampeã

Sediado dentro da Fespa Brasil 2019, o Cambea9 revelou um time bicampeão, da WS Adesivações, formado por Francisco Wellington da Silva e José Rafael Xavier, de Fortaleza. Além do troféu da competição nacional, a equipe ganhou a vaga para disputar o World Wrap Masters Series, durante a Fespa Global, que ocorrerá na Alemanha, no mês de maio.

Wellington comemorou: “Realmente é um grande evento, uma satisfação enorme poder participar e conquistar o título. Só temos a agradecer a todos que sempre nos apoiaram. Estamos muito felizes”.

Por uma diferença muito apertada, o vice-campeonato ficou com o time da Gênesis Envelopamento, do Rio Grande do Sul. Na terceira posição, ficou a dupla da GRC Adesivação, do Paraná.

O diretor da Fespa Brasil comentou sobre o Cambea: “A nona edição do campeonato teve um brilho todo especial. Estamos falando da maior competição automotiva que existe hoje e que reuniu competidores de todo o Brasil, e até outros países. Além das provas criativas, tivemos o vencedor que vai competir no Wrap Masters que acontece na Fespa da Alemanha”.

Dupla da WS Adesivações subiu ao ponto mais alto do podium 

Fonte: Fespa Brasil



Pantone expande sistema de cores para moda e decoração

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 13/05/2020
Predominam tons de azul e rosa

Predominam tons de azul e rosa

A fabricante Pantone anunciou a adição de 315 tons ao seu sistema de cores “Fashion, Home, and Interiors”. Com as novidades, que variam da “Summer Sand” (bege suave) à “Green Tambourine” (esmeralda vibrante), os designers podem selecionar um espectro de 2.625 cores.

Essas adições ajudam os consumidores a escolher as cores que desejam para seus ambientes e roupas. Também auxiliam na troca de informações entre designers, fornecedores e fabricantes.

Para a Pantone, foi um desafio determinar as novas cores. A empresa solicitou informações de profissionais de design e realizou estudos que medem a resposta emocional a certos matizes, além de ter observado tendências no mercado global.

Das novas cores adicionadas ao sistema “Fashion, Home, and Interiors” (que não deve ser confundido com o sistema Graphic Color System, indicado para impressão, embalagem e design digital), mais de 70 são variantes de azul e 50, de rosa - cores predominantes na moda e na decoração.

Os designers da Pantone observaram uma ligação entre sustentabilidade e tons neutros mais quentes, como os recém-chegados “Trenchcoat” e “Fields of Rye”.

Fonte: Pantone



Pré-tratamentos para impressão direta em tecidos

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 25/08/2017
Tecido atravessa rolos de 3,5 toneladas para o controle da qualidade da química do revestimento

Tecido atravessa rolos de 3,5 toneladas para o controle da qualidade da química do revestimento

A impressão digital está ganhando espaço na indústria têxtil mundial. Apesar de a tradicional sublimação (de transferência com papel) ainda fazer sucesso nesse segmento, os equipamentos de impressão direta estão evoluindo a passos largos.

Quando a impressão digital é realizada diretamente no tecido (com tinta dispersa, ácida, pigmentada ou reativa), o tecido deve receber primeiro um pré-tratamento ou revestimento. A composição química deste tratamento varia de acordo com a tinta utilizada e do tecido, sendo um segredo que cada fabricante usa para diferenciar seu produto. Na maioria dos casos, esse processo é realizado durante a fabricação do tecido – e uma das exceções será tratada neste artigo. No entanto, o usuário final deve entender como funciona esse processo e os impactos dele na qualidade e nas cores estampadas.

Métodos de aplicação do pré-tratamento

Atualmente, há três métodos de aplicação do pré-tratamento. O primeiro, e mais comumente usado, é o “pad-emulsion” (“placa de emulsão”), na qual o tecido é submetido a um banho químico e, posteriormente, passa por cilindros que retiram o excesso do produto. O segundo é um processo que se assemelha ao “pad-emulsion”, mas, em vez de cilindros, faz uso de uma faca ou de uma lâmina dosadora para a retirada da cobertura excessiva. Por fim, o terceiro método é o revestimento aplicado com spray.

A finalidade em todos estes processos é controlar a quantidade dos químicos a fim de manter a consistência da cobertura. A composição do tecido e o tipo de cobertura geralmente ditarão qual método deverá ser utilizado. Lembre-se de que os pré-tratamentos são diferentes; alguns podem afetar a resistência à luz e à lavagem e alguns podem distorcer as estampas e imagens.

Pré-tratamento sendo misturado no tanque

Propriedades do pré-tratamento

A finalidade primária do pré-tratamento é evitar que a tinta seque ou migre durante a impressão. O outro propósito é assegurar a adesão tecido do corante ou da tinta. Outra parte do processo diz respeito à adição de químicos que permitem que o tecido passe pelo teste de chama. A química que impede a tinta de migrar também altera a química do material que confere ao tecido uma proteção contra o fogo, o que o dificulta o processo. A maioria dos fabricantes dá ênfase em atingir ou os padrões de 1989 da National Fire Protection Association (NFPA) ou os testes do State of California Fire Code (CAL 19). Alguns dos itens impressos que precisam da resistência ao fogo são displays de PDV, cortinas e blackouts, estofados, atapetados, toalhas de mesa, papéis de parede, carpetes, tendas e alguns vestuários.

É importante salientar que há diferentes tipos de revestimentos. Um revestimento ruim ou inconsistente pode causar falhas provocadas por baixa resistência à luz, lavagem, desgaste e textura e tato (toque). É bom esclarecer e definir o significado de alguns dos termos: “resistência à luz” e “resistência à lavagem” são termos óbvios. Porém, “desgaste” é um termo usado para se referir ao ato de esfregar o tecido até que a tinta saia, quando submetido ao desgaste. A American Association of Textile Chemists and Colorists (AATCC) definiu um teste que pode ser utilizado para determinar o desgaste de um tecido. O “tato” se refere a sentir o tecido entre os dedos e o polegar, sendo que alguns tecidos são naturalmente mais firmes e espessos, enquanto outros, como a seda, são muito macios ao toque. O objetivo do pré-tratamento é evitar que a textura do tecido seja alterada drasticamente.

Outros exemplos de falhas provocadas por aplicação ruim ou incorreta do revestimento são riscos, listras, manchas e cores inconsistentes, que acontecem com mais frequência no pré-tratamento aplicado com spray, apesar destes problemas também aparecerem nos outros métodos. Solicitar uma amostra do tecido para que você possa imprimir e sublimar é sempre uma boa opção. Alguns problemas, como o amarelamento do revestimento, podem não surgir até que o calor seja aplicado. Isso também dá a oportunidade de avaliar a qualidade do pré-tratamento.

Tecido passando pelo tanque de imersão e depois correndo pelos cilindros

Vantagens e desvantagens

O benefício principal da impressão direta em tecidos é a eliminação dos custos do papel de transferência. Não se trata de uma diferença significante, já que o processo de impressão direta pode demandar o uso de mais tinta: entretanto, após um tempo, a economia pode aumentar. Para aplicações específicas, sobretudo de sinalização, bandeiras, banners e luminosos, a grande vantagem é a penetração da tinta no tecido. Na impressão de bandeiras, por exemplo, a tinta penetra no tecido e torna possível ter a mesma cor na frente e atrás da peça. A imagem pode ser distorcida, mas, considerando que bandeiras e banners são vistos à distância, isso não é um problema.

Para aplicações como em artigos de tapeçaria, cortinas e jogos de mesas, em que são necessárias fixação da cor e a alta resistência ao UV, a alta saturação da tinta de impressão direta é um diferencial.

Uma última vantagem a considerar diz respeito à impressão em tecidos que esticam. No processo de transferência em tecidos brancos, a tinta permanece na superfície. Quando o tecido estica, é possível ver uma linha branca. Na impressão direta, a tinta satura mais o tecido e isso diminui muito a probabilidade de surgir ranhuras quando o tecido for esticado.

Contudo, há algumas desvantagens da impressão direta a serem consideradas. Alguns revestimentos podem fazer com que o tecido se torne mais firme e espesso ao toque, o que não é desejável em peças de vestuário. Além disso, há o problema do excesso de tinta. Se o tecido não for devidamente aquecido e seco após a impressão, a tinta em excesso pode migrar, espalhar e manchar o tecido quanto ele for dobrado ou enrolado. Com relação aos tecidos destinados à fabricação de vestuário, o suor também pode fazer o excesso de tinta correr, de modo que a utilização da impressão direta para roupas não é recomendada.

A última desvantagem é o processo em si. A impressão por transferência é mais usual do que a impressão direta. Imprime-se em um papel em vez de fazê-lo no tecido, sendo essa técnica geralmente mais fácil de dominar.

Dicas para obter melhores resultados

O armazenamento e o manuseio são importantes no pré-tratamento têxtil. É recomendado utilizar o rolo de tecido assim que abri-lo. É também importante armazená-lo no saco plástico original, climatizando-o algumas horas antes de submetê-lo à impressora. Ademais, é importante procurar por riscos, ranhuras e marcas de compressão próximos ao fim do rolo.

Controlar a umidade do ambiente em que a impressão será realizada é importante, porque o ambiente seco dificultará a absorção. Além do mais, usar a opção de pós-aquecimento da impressora é uma boa forma de fazer com que a tinta seque o suficiente para que não ela não se espalhe ou manche no momento em que o tecido for enrolado.

Tecido entrando no forno de secagem

Exceções: tinta pigmentada e Kornit

A razão pela qual o revestimento é usado na impressão de tinta pigmentada é aumentar a adesão do insumo ao tecido. A tinta pigmentada não tem aditivos aglutinantes muito fortes, porque o tamanho de suas moléculas são grandes e podem cria problemas nas cabeças de impressão. O pré-tratamento para pigmentos é um trabalho em progresso, e melhorias estão sendo feitas. A indústria está se buscando encontrar a química capaz de ser ejetada pelas cabeças de impressão.

Conforme mencionado no início do artigo, a impressão realizada diretamente no tecido requer que este seja pré-tratado ou receba um revestimento antes de ser submetido à impressora. Há uma outra exceção, que é a impressora rolo a rolo Kornit Allegro, que emprega o processo “fixation to fly”. Com a Kornit Allegro, o pré-tratamento é aplicado como parte do processo de impressão, o que significa que é possível submeter, virtualmente, qualquer tipo de tecido à impressora (incluindo poliéster), aplique o pré-tratamento, imprima e cure o tecido em um único processo - a impressora tem um aquecedor embutido que aplica a tinta ao tecido.

Considerações finais

Cconversei com Tommy Martin (da Mimaki), Scott Fisher (da Fisher Textiles) e Mike Sanders (da Pacific Coast Fabrics), para aprender um pouco mais sobre o assunto e acrescentar comentários deles neste artigo.

Martin notou que para quem usa a nova TX300P-1800, que imprime diretamente em tecidos, o pós-tratamento se mostrou tão importante quanto o pré-tratamento na manutenção da “fofura” do tecido (neste ponto, imagine o algodão) após a impressão. Ele também notou que os revestimentos causam impacto no gerenciamento de cores - outra boa razão para solicitar uma amostra que possa ser impressa e aquecida, para verificar se o revestimento vai amarelar ou não.

Fisher notou que a leva atual das máquinas que imprimem diretamente no tecido estão fazendo uso de tinta dispersa aquosa. Ele acredita que o próximo passo será uma tinta dispersa solvente. Tintas solventes secam mais rápido (e por conta disso reduzem as ranhuras do papel), conferindo maior durabilidade ao produto final. Ele acredita que logo elas terão um papel maior no mercado.

Sanders acha que as tintas pigmentadas (tal como o modelo Kornit Allegro) estarão mais presentes entre indústrias que estampam fibras e composições de tecidos. A pigmentação resistente à luz é um grande diferencial e terá um papel maior na impressão de itens para decoração e vestuário. Ele ainda aponta que os pigmentos melhoraram nos últimos anos e que os poucos obstáculos - sobretudo o desgaste em cores escuras - estão sendo superados. Sanders acredita que o mercado da decoração e do vestuário sofrerão mudanças drásticas uma vez que esse problema seja resolvido.

A impressão digital realizada diretamente no tecido é um mercado em ascensão, que está tomando o lugar da tradicional impressão em vinil. As oportunidades estão aumentando com a abertura de novos mercados (decoração, vestuário, feiras de exposição etc). A tradicional sublimação digital ainda reina no mundo têxtil. Porém, o desejo de imprimir em uma variedade maior de tecidos, este mercado sofrerá reduções e as impressões digitais realizadas diretamente no tecido serão a onda do futuro. Entender o processo, tanto quanto compreender as vantagens e desvantagens, te deixará bem preparado e bem posicionado para enfrentar as mudanças pelas quais passaremos nos próximos anos.

Sobre o auto: Ray Weiss é especialista da SGIA

Este artigo foi publicado inicialmente no SGIA Journal e reproduzido pelo InfoSign com a permissão da SGIA (this article first appeared in the SGIA Journal and is reprinted with permissions from the SGIA).