Impressão de grande formato: sublimação ou impressão direta em tecidos?

Por Felipe Andrade de Oliveira em 13/05/2015

Sublimação ou impressão direta? Saiba qual é a melhor escolha para o seu negócio

Sublimação ou impressão direta? Saiba qual é a melhor escolha para o seu negócio

Está em dúvida entre adquirir uma impressora digital sublimática ou uma solução de impressão de grande formato direta em tecidos? Este artigo mostra variáveis e questões técnicas envolvidas nessa escolha. Antes, porém, é importante frisar que para qualquer projeto a pesquisa é essencial. Aprofunde-se e relacione a verba de investimento da sua empresa com o que seus clientes esperam e precisam.

Com base nessas informações, será possível escolher a melhor ferramenta. Saiba de antemão que os segmentos de moda, decoração e comunicação visual promocional podem se beneficiar de ambas as tecnologias. O tipo de tecido e a intenção do empreendedor devem direcionar a escolha entre sublimação ou impressão direta.

Observação: embora as tecnologias UV e látex de impressão inkjet de grande formato possam estampar tecidos, elas não foram abordadas neste artigo, que também não trata de soluções garment printing, usadas eminentemente para personalizar camisetas.

Impressão digital em tecidos

Em primeiro lugar, saiba distinguir as tecnologias atualmente disponíveis no mercado de estamparia têxtil digital. A mais disseminada até o momento é a sublimática. Porém, a impressão direta vem atingindo novos patamares de uso. Confira:

Sublimação

A sublimação é a passagem direta de uma substância do estado sólido para o gasoso, sem passar pelo estado líquido. O mesmo acontece com a tinta, que é à base d’água: depois de impressa e seca no papel, ela passa para o estado gasoso, sob altas temperatura e a pressão, penetrando nas tramas e urdumes do tecido. Para tanto, é necessário submeter o papel impresso e o substrato a calandras ou prensas.

Prensa térmica é equipamento que aplica calor e pressão para transferir a imagem do papel para a camiseta

Prensa térmica é equipamento que aplica calor e pressão para transferir a imagem do papel para a camiseta

No entanto, a sublimação restringe-se a estampar apenas tecidos de fibras sintéticas químicas, como poliéster ou poliamida, compostos de 100% desses materiais ou mistos com outras fibras (por exemplo, 60% poliéster e 40% algodão). O interessante é que a base tenha maior número de fibra sintética para que se obtenha maior qualidade de cores.

A impressão sublimática é indicada para birôs e estamparias de moda fashion, moda esportiva, decoração de interiores e comunicação visual (banners e bandeiras).

Impressão direta em tecidos

Em comparação com a sublimação, o processo de impressão direta é mais complexo e caro, já que trabalha com fibras naturais, como a seda e o algodão, as quais precisam de pré-tratamento (para o recebimento da tinta) e pós-tratamento (para melhorar a ancoragem do insumo). Esses procedimentos consomem muita água e demandam maquinário específico, não apenas para o processo de estampagem, mas também para a destinação correta do descarte dos resíduos oriundos da produção.

Para receber a impressão direta, os tecidos devem ser submetidos a pré e pós-tratamentos que melhoram a ancoragem da tinta. Esses procedimentos consomem muita água e demandam maquinário específico para destinar corretamente o descarte dos resíduos oriundos da produção.

Para impressão direta em tecidos, são necessários equipamentos auxiliares de pré e pós-tratamento

Para impressão direta em tecidos, são necessários equipamentos auxiliares de pré e pós-tratamento

É importante levar em conta que algumas matérias-primas de tecido, apesar de renováveis, são caras. A manufatura da seda mulberry, por exemplo, depende da produção de amora, que por sua vez depende do clima. A fruta é alimento do bicho da seda, que construirá seu casulo, para enfim dar origem à fibra da seda. Trata-se de um processo que requer tempo e recursos, o que onera o produto obtido.

Conheça as tintas empregadas na impressão direta, bem como os tecidos e os tratamentos relacionados:

- Pigmentada: estampa algodão ou mistura de algodão com poliéster. Pode exigir pré-tratamento de coating específico e lavagem como pós-tratamento.

- Reativa: estampa tecidos à base de celulose (algodão). Exige pré-tratamento de coating específico. Também necessita de pós-tratamento, isto é, vaporização (para melhorar a ancoragem) e lavagem (de seis a oito, para retirar o excesso).

- Ácida: estampa seda, poliamida, nylon e lã. Precisa de pré-tratamento de coating específico e exige pós-tratamento de vaporização (para melhorar a ancoragem) e lavagem (de seis a oito, para retirar o excesso).

- Dispersa: estampa tecidos de poliéster. Necessita de pré-tratamento de coating específico e pós-tratamento de polimerização (para melhorar e ancoragem) e lavagem (de uma a duas, para retirar o excesso).

Atualmente, tanto a impressão digital sublimática quanto a direta estampam tecidos com alta qualidade

Atualmente, tanto a impressão digital sublimática quanto a direta estampam tecidos com alta qualidade

Vantagens e desvantagens

Na hora de escolher qual tecnologia adquirir, é fundamental pesar as vantagens e desvantagens de cada uma.

Um dos principais destaques da sublimação certamente é o custo de produção, mais baixo quando comparado ao da impressão direta. Um metro linear de seda pode custar entre 50 e 100 reais. Já o metro de uma base similar de poliéster sai por 5 reais. Além disso, a sublimação é um processo que emprega tinta à base d’água e não requer pré e pós-tratamento, que gastam muita água.

No entanto, a produção de filamentos de polímeros de poliéster e poliamida é prejudicial ao meio ambiente. Isso tem levado o público consumidor a questionar a validade do uso de tecidos sintéticos. Além disso, comparado às bases naturais, o poliéster não proporciona o mesmo conforto quando usado em moda.

Quanto ao processo sublimático, deve-se ainda pesar a questão da climatização da sala de impressão. A maioria das empresas utilizam aparelhos de ar-condicionado para refrigerar o ambiente. Isso implica maior gasto de energia, o que causa impactos tanto no meio ambiente quanto no custo da produção.

Talvez a maior desvantagem da sublimação seja a limitação de estampar apenas tecidos sintéticos. Na contramão, com a impressão direta é possível estampar diversas fibras naturais.

É importante ressaltar que nenhuma composição sintética tem propriedades (toque, maciez e respiração) comparáveis às composições naturais. No entanto, a impressão direta tem a desvantagem de utilizar muita água em tratamentos, maquinários, eliminação dos resíduos, entre outros processos.

Embora o custo seja muito alto, na impressão direta é possível imprimir em diversos tipos de tecidos

Embora o custo seja muito alto, na impressão direta é possível imprimir em diversos tipos de tecidos

Tendências

O futuro é promissor para as duas tecnologias. Quem acompanha o mercado de impressão digital testemunhou a grande ascensão da sublimação nos últimos cinco anos, e estima-se que essa tecnologia cresça por volta de 4% ao ano, tendência que deve se manter até 2025.

Há, no entanto, um aspecto limitador na expansão da sublimação. Ela estampa apenas tecidos de poliéster e poliamida, cuja produção polui o meio ambiente. Além disso, são materiais que demoram para se decompor (cerca de 400 anos). Por isso, fibras naturais e sustentáveis, ainda que mais caras para produzir e imprimir, tendem a ganhar mais espaço.

O maior segmento têxtil do mundo é o de algodão. Trata-se de uma indústria muito forte economicamente e concorrente da indústria de poliéster. No Brasil, são produzidos por ano 700 mil toneladas de algodão e, a partir de 2017, o país terá um incremento estimado em 2,5% ao ano.

CJV150-160: impressora com recorte integrado possibilita a instalação de tinta solvente ou sublimática

CJV150-160: impressora com recorte integrado possibilita a instalação de tinta solvente ou sublimática

Quanto custa?

Estudar e considerar as características de cada tecnologia é parte fundamental na escolha da máquina ideal. E tão importante quanto isso é levar em consideração os custos de aquisição dos equipamentos e dos processos.

Atualmente (maio de 2015), estima-se que uma solução completa de impressão direta gire em torno de 10 milhões de reais. O valor dependerá do tamanho da produção, do espaço físico e das marcas e dos modelos escolhidos de impressora, rama, vaporizadora, polimizadeira, secadora lavadora e outros equipamentos necessários para os tratamentos devidos. A Mimaki comercializa o TX500-1800B, equipamento de impressão direta em tecidos.

TX500-1800: equipamento de impressão direta comercializado pela Mimaki

TX500-1800: equipamento de impressão direta comercializado pela Mimaki

Já uma solução completa de sublimação é bem mais acessível. Como base atual, o interessado pode levar em consideração as seguintes estimativas de valores:

  • Calandra: R$90.000,00;
  • Impressora Mimaki JV300-160: R$120.000,00;
  • Papel para sublimação: R$0,90 (1 metro linear);
  • Tinta Mimaki SB53 (original): R$265,00 por litro;
  • Custos variáveis: funcionários, espaço, luz, água etc.

A Mimaki oferece uma grande linha de impressoras para estampar tecidos, entre as quais estão:

- CJV150-107: indicada para médias tiragens – aproximadamente 5 mil metros lineares por mês. Recomendada para quem está começando e trabalha com impressão localizada, em prensa ou calandra. Possui um módulo de recorte integrado.

Mimaki CJV150-107: impressora indicada para quem está dando os primeiros passos no mercado de sublimação

Mimaki CJV150-107: impressora indicada para quem está dando os primeiros passos no mercado de sublimação

- JV150-160: indicada para aproximadamente 7.500 metros lineares por mês. Possui a mesma tecnologia da CJV150-107, porém sem o módulo de recorte e com a largura de saída maior. Faz impressões localizadas ou rolo a rolo.

- JV300-160: indicada para aproximadamente 20 mil metros lineares por mês. Possui duas cabeças e faz 65 e 40 metros lineares por hora, com uma e duas passadas, respectivamente. Há outras configurações de resolução e passadas que reproduzem com mais qualidade.

- TS34-1800: indicada para aproximadamente 13 mil metros lineares por mês. Possui duas cabeças de impressão e é recomendada para impressões de maior qualidade, pois utiliza resolução mínima de 540 x 720dpi e duas passadas, garantindo 25 metros lineares por hora.

- TX500-1800B: indicada para aproximadamente 34 mil metros lineares por mês. Robusta e industrial, é uma máquina que pode receber papel de 180cm, para o mercado de malhas. Dispõe de seis cabeças Ricoh Gen5, em ordem escalonada, o que garante produtividade de até 83 metros lineares por hora, no modo de impressão 300 x 300dpi, em duas passadas.

Este artigo técnico foi patrocinado pela Mimaki, fabricante de impressoras digitais

Este artigo técnico foi patrocinado pela Mimaki, fabricante de impressoras digitais

Sobre o autor: Felipe Andrade de Oliveira atualmente faz parte do desenvolvimento de produtos têxtil da filial brasileira da Mimaki

Sobre o autor: Felipe Andrade de Oliveira atualmente faz parte do desenvolvimento de produtos têxtil da filial brasileira da Mimaki



Mactac lança série de vinis cromo para envelopamento de carros

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 28/03/2017
Dez opções de cores fazem parte da linha TF 900 FlexChrome BF

Dez opções de cores fazem parte da linha TF 900 FlexChrome BF

A Mactac, fabricante de películas para comunicação visual, anunciou no mercado internacional a TF 900 FlexChrome BF, linha de vinis adesivos cromo para envelopamento de carros. Disponível em dez cores, as películas apresentam acabamento fosco e provocam efeitos visuais diferenciados, descritos como “where liquid meets metal” (onde o líquido encontra o metal).

A TF 900 FlexChrome BF será exposta durante a Fespa 2017, feira internacional que ocorre entre os dias 8 e 12 de maio, na Alemanha. No evento, a empresa também promete mostrar vinis com propriedades de “autocura”. São películas que, ao receber calor de uma fonte como água quente, podem regenerar e eliminar pequenos arranhões.

Martine Bouvet, gerente da Mactac Europe, declarou: “Estes vinis ‘autocura’ e os novos filmes cromados oferecem aos aplicadores novas e excitantes soluções para envelopamento de veículos”.

Fonte: Mactac



Cabeças de impressão: inovações, novidades e atualizações

Por Tony Quinn em 07/03/2014

Matéria compila a opinião dos maiores especialistas internacionais de cabeça de impressão

Matéria compila pontos de vistas dos maiores especialistas internacionais em cabeça de impressão

Na edição de 2013 da feira SGIA, a organização promoveu um painel que reuniu alguns dos principais fabricantes para discutir o atual estado das tecnologias de cabeças de impressão. Participaram profissionais da Fujifilm Dimatix, Epson, Konica Minolta (KM), Seiko Instruments (SII-Printek) e Xaar, bem como da EFI-Vutek, cuja perspectiva de fabricante de impressoras complementou as opiniões.

O texto a seguir compila informações apresentadas nesse painel. Os textos em itálicos são transcrições das palestras. Os demais, foram redigidos pelo autor da matéria. Ao final dela, há um tópico de perguntas e respostas, oriundas da sessão que encerrou o painel.

Apesar de ter enfatizado as características dos dispositivos das empresas presentes, o painel não incluiu todas as tecnologias de cabeça disponíveis hoje no mercado.

Panorama

A tecnologia inkjet pode ser dividida em:

  • Jato contínuo de tinta (Continuous Inkjet, CIJ): usado, por exemplo, em codificação de produtos alimentícios (não será discutido nesta matéria);
  • Jato de tinta sob demanda (Drop on Demand, DOD): divide-se em térmica (Thermal Inkjet, TIJ) e piezoelétrica (Piezoelectric Inkjet, PIJ).

A primeira é muito utilizada no mercado de artes gráficas, especialmente pela HP e pela Canon. Porém, os fabricantes presentes no painel da SGIA eram de cabeças piezo. Esses dispositivos empregam material piezoelétrico, que, ao receber um pulso elétrico, deforma-se e dispara gotas de tinta de suas câmaras, por meio de um bocal (nozzle). Cada cabeça tem centenas ou milhares de câmaras e nozzles.

Os principais pontos debatidos no painel recaíram sobre a tecnologia de silício MEMS (Micro-Electro-Mechanical Systems, Sistemas Micro-eletro-mecânicos) e sobre as vantagens e desvantagens dos sistemas shared wall (parede compartilhada) e isolated channel (canal isolado). Também houve debates sobre a tecnologia greyscale, bem como sobre a recirculação de tinta.

Painel promovida pela SGIA 2013 foi composto por alguns dos maiores especialistas em cabeça de impressão do mundo

Painel promovido pela SGIA 2013 foi composto por alguns dos maiores especialistas em cabeça de impressão do mundo

Apresentação 1: John Lapp, da Fujifilm Dimatix

Há anos, as cabeças de impressão têm sido empregadas em impressão digital, codificação e marketing, antes mesmo de o grande formato tornar-se um enorme mercado. E hoje os segmentos de decoração de cerâmica e impressão comercial estão crescendo, assim como os segmentos de protótipos em 3D, aplicações funcionais, eletrônicos impressos e até biociência, no qual as cabeças são usadas como dispositivos de microbombeamento ou ferramentas de precisão de jateamento de fluidos. Uma grande quantidade de tintas inkjet têm sido desenvolvidas para eletrônicos impressos: tintas de prata, de cobre, de ouro e de níquel.

Em termos de tecnologia, não usamos a shared wall. Usamos a shear mode, que permite operações de alta frequência. A nova cabeça Samba dispara gotas a 150 kHz (kilohertz).

Nossas cabeças industriais são de 50 a 60 kHz. Não há mecanismos de desgaste nelas. Portanto, são as condições ambientais e as manutenções que determinam a tempo de vida delas. Se forem bem cuidadas, podem durar por muito tempo. Mas se forem maltratadas, não terão uma vida muito longa.

Conseguimos uma excelente uniformidade em termos de volume da gota de tinta, velocidade de disparo, linearidade do jato e alta temperatura. Algumas cabeças rodam a 125ºC, dependendo da tinta utilizada. O volume da gota oscila entre 10 e 150 picolitros, em uma série grande de fluidos: à base d’água, solvente, UV, sublimáticos, tintas funcionais de nanoprata e fluidos de biociência.

Cabeça Dimatix Samba dispara gotas na frequência de 150 kHz

Cabeça Dimatix Samba dispara gotas na frequência de 150 kHz

Muitos fatores influenciam a qualidade de impressão, como a velocidade do disparo, o volume da gota, a retidão do jato e a uniformidade jato a jato. É importante obter uniformidade do volume de gota em todos os disparos. Se você tem tamanhos inconsistentes de gota ou uma tolerância muito grande, as imagens reproduzidas sofrerão banding e outros problemas.

A retidão do jato é também um ponto crucial, a falta dela pode causar banding e imagens imprecisas. A uniformidade jato a jato significa que todos os pontos anteriores (velocidade do disparo, volume da gota e retidão do jato) são consistentes. Dois deles não é satisfatório, você precisa dos três.

Assim, uma série de fatores afetam o endereçamento (localização) do ponto. O primeiro é a qualidade técnica da cabeça. Por exemplo, na fabricação do nozzle, pode haver interferências como arranhões e sujeira nas placas de noozle. O acúmulo de tinta seca ao redor da placa de nozzle também pode prejudicar o jateamento e, portanto, o endereçamento dos pontos.

Em termos de qualidade de impressão, o Versa-drop, que é como chamamos nossa tecnologia greyscale, permite reproduzir pontos muito pequenos e alta resolução (para visualização de perto). Você pode ter pontos largos (para uma visualização de longa distância) ou pode usar o greyscale, ou seja, pontos variáveis para obter textos e tons de pele.

Apresentação 2: Masao Tachibana e Wakabayashi, da Seiko Instruments, Inc – Printek

A apresentação da SII-Printek começou com uma descrição da tecnologia de arquitetura isolated channel (canal isolado), enfatizando suas vantagens em relação à tecnologia shared wall (parede compartilhada) — usada em cabeças anteriormente fabricadas pela empresa (e também empregada pela Xaar e pela Konica Minolta).

Segundo a SII-Printek, a isolated channel permite operações de alta frequência, alta velocidade de jateamento e não corrói em função das tintas à base d’água ou condutivas.

Cabeças da Seiko empregam tecnologia de canal isolado

Cabeças da Seiko empregam tecnologia de canal isolado

Os palestrantes também descreveram desenvolvimentos mais recentes de suas cabeças, como o design que permite o fluxo de recirculação de tinta (similar ao incorporado à série Xaar 1001 e cabeças Samba e Starfire da Dimatix). Os benefícios são recuperação automática de jatos errôneos e redução de sedimentação de tintas com alto teor de sólidos.

A apresentação analisou a questão: "Um ponto pequeno é sempre bom para imagens de qualidade?". Sobre o assunto, os palestrantes argumentaram que a precisão do endereçamento de pontos muito pequenos é provavelmente afetada pelo fluxo de ar e pela eletrostática. E a produtividade – medida pelo volume de tinta disparado por segundo – é melhorada ao usar gotas com tamanhos maiores.

Apresentação 3: Daisuke Ishibashi, da Konica Minolta

A apresentação da KM descreveu a variedade de cabeças de impressão fabricada pela empresa e enfatizou as séries 1024 e 1024i, cujas cabeças têm 1024 nozzles. Porém, a família 1024 mais antiga emprega duas linhas de atuadores de 180dpi operando em shared wall ou modo de três ciclos, ao passo que a nova série 1024i é composta por cabeças com linhas de 90dpi, para atingir a mesma densidade de nozzle, mas com frequências mais altas de operação.

Konica 1024 possui 1024 nozzles

Konica 1024 possui 1024 nozzles

Notavelmente, todas as cabeças possuem pegada idêntica: 106 por 18 milímetros. Cada família vem com em versões de pequenos, médios e grandes volumes de gota. O lançamento mais recente da empresa é o modelo 1800i, que apresenta 600dpi, 84 kHz e gotas de 3,5 picolitros.

Apresentação 4: Juan Calderon, da Xaar

O que um cliente quer de uma cabeça de impressão? Respondemos da seguinte forma:

Qualidade de impressão e produtividade: a Xaar está investindo na criação de uma nova geração de cabeças que disparam volumes menores de gota, trabalham com maior largura de impressão e frequências mais altas;

Desenvolvimento: oferecemos a Xaar 1001, que tem sido bem-sucedida em impressoras única passada nos mercados de cerâmica e embalagem. E estamos agora adaptando-a para a indústria de múltipla passada.

Integração: quando você tem uma impressora, pode querer repôr rapidamente as cabeças. Todas as nossas cabeças terão um fecho Luer para assegurar a conexão de tinta, e as conexões elétricas terão um revestimento que as protegerão de danos mecânicos e elétricos e derramamentos de tinta.

Custos de manutenção: temos uma nova geração vindoura de eletrônicos inteligentes, com funcionalidades que permitirão dar um feedback diretamente da cabeça, e a habilidade de controlar temperaturas e voltagens, a fim de ajudar a diagnosticar e prevenir danos às cabeças.

Alguns modelos Xaar têm sido empregados para impressão em cerâmica e embalagem

Alguns modelos Xaar têm sido empregados para impressão em cerâmica e embalagem

Apresentação 5: Mark Radogna, da Epson

Recentemente, anunciamos uma nova tecnologia de cabeça que vai influenciar todas os equipamentos Epson. Introduzimos uma impressora dedicada a imprimir camisetas. Essa máquina não existiria se não tivéssemos desenvolvido a nova cabeça PrecisionCore; é uma geração totalmente nova e desenvolvida por nós. É exclusividade da Epson.

A PrecisionCore oferece uma série de benefícios. O primeiro é que ela é baseada no que chamamos de print chip core. Não se trata de uma cabeça de impressão com estrutura gigante. Ele é um chip bem pequeno. Tem a habilidade de produzir um ponto que é preciso, fino, claro e que vai além de qualquer coisa que foi produzida até agora.

Também aproveitamos a oportunidade de utilizar formas mais avançadas de material e cristal piezo. E como somos os fundadores dessa tecnologia, temos usado químicas avançadas para criar o cristal piezo. O resultado é uma cabeça extremamente durável.

PrecisonCore é a tecnologia recém-lançada da Epson

PrecisonCore é a tecnologia recém-lançada da Epson

O outro benefício da nova cabeça é que ela tem uma notável flexibilidade de tinta. Podemos imprimir virtualmente com qualquer insumo. É possível usar tinta pigmentada à base d’água ou solvente pesado e também a nova tinta que imprime camisetas. Há muitas formas com as quais podemos rodar fluidos por meio desse novo chip de impressão.

E, finalmente, ela é escalável. Posso reunir e construir a estrutura que eu quiser, no espaço de cor que eu quiser, para a aplicação que eu quiser. É uma tecnologia totalmente nova.

Esse é um exemplo de como trouxemos uma nova ideia para o piezo, que muda dramaticamente a tecnologia. Criamos uma cabeça a partir disso, para uma aplicação como a impressão em camisetas.

Apresentação 6: John Duffield, da EFI Vutek

Vou falar sobre o que eu acho ser a próxima geração de cabeças e como elas influenciam as características das impressoras. Estamos sempre procurando aumentar a qualidade quanto a velocidade das nossas máquinas.

Procuro por desvios angulares, provavelmente de algo em torno de 0,4 graus. Procuro por um aumento de 5% na variação de velocidade. Preciso melhorar a uniformidade e aumentar a velocidade.

As outras tolerâncias que estamos procurando estão nos eixos x e y, para conseguir um endereçamento de ponto mais preciso, que fique numa variação de mais ou menos 5 micra. O plano z não precisa ser tão preciso, pode variar mais ou menos 10 micra.

Quanto à velocidade, buscamos cabeças com velocidades de impressão acima de 5 metros por segundo. Preferivelmente próximo a 10 metros por segundo. E para impressoras UV, buscamos volumes entre 6 e 12 picolitros, único pulso e greyscale.

Atualmente, estamos usando greyscale de quatro níveis, mas várias outras cabeças são capazes de trabalhar com oito. As cabeças com uma única fila de nozzles têm sido mais usadas do que as de múltiplas filas, para grandes formatos: o que nos dá mais flexibilidade e chance de colocar as cabeças em diferentes posições.

A densidade maior de nozzles faz o carro de transporte diminuir e ficar mais leve, e então aumenta a velocidade da impressora, porque você não tem de espalhar os nozzles por uma área muito larga.

Fabricantes de impressoras procuram utilizar cabeças que aumentam a qualidade e a velocidade das máquinas

Fabricantes de impressoras procuram utilizar cabeças que aumentam a qualidade e a velocidade das máquinas

Algo que eu também gostaria de ver é algum tipo de feedback de pressão de menisco. Várias cabeças já têm feedback de temperatura, mas se houver o feedback de menisco, isso certamente vai ajudar a ter maior controle dos parâmetros que afetam a qualidade, a velocidade e o direcionamento das gotas.

Quanto às impressoras têxteis, elas tendem a ser instaladas em ambientes bastante agressivos, então precisam operar em altas temperaturas, mas comumente usam tintas que suportam baixa temperatura. Tintas à base de solvente, água e óleo não gostam de ser aquecidas. É preciso recuperação rápida e fácil do nozzle – portanto, uma cabeça com recirculação seria benéfica.

Perguntas e respostas

Qual é modelo de negócios adotado para o uso de tintas? Vocês exigem que os clientes usem tintas específicas? Vocês cobram royalty?

Epson: depende da parceria. Temos alguns parceiros no Japão, com os quais fazemos OEM, e eles empregam nossas tintas.

Konica Minolta: na KM, nós cobramos royalty.

Xaar: exigimos que nossas cabeças usem tintas previamente aprovadas, para manter a integridade das cabeças. Com a tinta aprovada, as cabeças têm um ano de garantia. Há algum royalty para uso de certas plataformas, especialmente as mais novas.

Dimatix: nossos clientes são livres para escolher a tinta que quiserem. Porém, se trabalham com nossos parceiros e usam tintas aprovadas, os clientes obtêm garantia. Há algumas relações de royalty com esses parceiros.Temos também relações de royalty com alguns clientes, dependendo do modelo de negócio.

Por quanto tempo a cabeça deveria durar?

EFI: Se você não cuidar, ela pode durar dias ou semanas. Mas se você cuidar e fizer as manutenções corretamente, ela pode durar por anos. Normalmente, as cabeças têm vida média de um a dois anos.

Vocês têm estatísticas sobre o tempo de duração das cabeças?

EFI: sim, uma impressora GS com 16 cabeças pode ter uma substituição média de duas ou três cabeças no primeiro ano. Isso é bem razoável.

Dimatix: como não há mecanismos de desgaste nas cabeças Dimatix, o piezo não fatiga e as placas de nozzle não se esgotam. Na maioria das aplicações gráficas, os fluidos são bons e não afetam as cabeças, mas a chave para qualquer aplicação é a manutenção.

Ouvimos muitas coisas sobre tecnologia, mas quanto é o custo por nozzle ou custo em geral? E sobre a MEMS? O que vocês estão fazendo para diminuir o custo das cabeças?

Dimatix: não olhamos o custo por nozzle, mas o custo total de propriedade. É quanto uma cabeça dura, ou seja, a produção que você consegue com ela. Isso é mais importante que o custo por nozzle. Se custa dois ou quatro dólares por jato, isso é irrelevante se ela dura apenas seis meses e se isso diminui a velocidade da impressora. Você quer uma cabeça que tenha longa duração e quer obter alta produtividade com ela. Agora, em termos de custos de fabricação, sim, nós estamos sempre tentando fazer as coisas melhorarem. A tecnologia MEMS de silício que estamos usando diminui os custos de fabricação, mas os custos ainda são altos porque temos de pagar o investimento de 100 milhões de dólares que fizemos para produzir essa tecnologia. A primeira cabeça custou 100 milhões de dólares e a segunda, 5 milhões. O custo está diminuindo. A tecnologia guia os custos, mas ela também guia os custos de aperfeiçoamento em novas tecnologias.

Sobre o autor Chris Lynn é CEO da Hillam Technology Partners

Sobre o autor: Chris Lynn é CEO da Hillam Technology Partners

Este artigo foi publicado inicialmente no SGIA Journal e reproduzido pelo InfoSign com a permissão da SGIA (this article first appeared in the SGIA Journal and is reprinted with permissions from the SGIA).