Cobertura Fespa Brasil 2016 – Parte 1: Impressoras digitais

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 11/04/2016
Evento foi marcado pela forte presença de impressoras digitais para estamparia têxtil

Evento foi marcado pela forte presença de impressoras digitais para estamparia têxtil

A edição de 2015 da Fespa Brasil havia deixado um sinal claro e indelével: a impressão digital têxtil estava em franca ascensão no mercado brasileiro. Novos fornecedores, equipamentos e tecnologias chegavam para tomar espaço de processos consolidados, como a impressão solvente, e para ser uma presença cada vez mais cativa em segmentos ainda pouco explorados pela impressão inkjet de grande formato, como a indústria de fabricação de tecidos.

Um ano depois, na Fespa Brasil 2016, que ocorreu entre os dias 6 e 9 de abril, o potencial auspicioso parece estar se concretizando. Isso foi demonstrado pela copiosa presença de equipamentos e materiais para estamparia têxtil digital exibida durante a feira. Dessa pluralidade fazem parte as já conhecidas tecnologias de impressão sublimática e, em menor medida, a UV e a látex, cujos sistemas são adaptados também para imprimir em determinados tipos de tecidos para sinalização e decoração.

Há também as tecnologias de impressão direta que empregam tintas reativas, dispersas, ácidas ou pigmentadas. Embora mais abundantes, esses sistemas de impressão de grande formato podem ser considerados basicamente incipientes no país. São indicados a grandes indústrias têxteis e requerem investimentos igualmente proporcionais. Também exigem o domínio de técnicas e processos auxiliares relativamente complexos de pré e pós-tratamento. Mas se essas características significam certas barreiras para a adoção da tecnologia, é possível perceber que ela ainda tem muito a se desenvolver e evoluir. Ou seja, há potencial e muito espaço para trabalhar. Portanto, podemos esperar muitos desdobramentos relativos à impressão digital têxtil.

Para você que visitou a feira ou para quem não conseguiu prestigiar o evento, o InfoSign, veículo parceiro da Fespa Brasil, preparou uma cobertura completa, dividida em seções, a começar por esta, que trata especialmente de impressoras de grande formato.

Impressão têxtil (direta e sublimática)

A Sign Supply investiu em uma divisão têxtil, a Digitex, para prover soluções específicas para o mercado de tecidos. Entre as iniciativas do novo braço da empresa está a distribuição de impressoras sublimáticas da DGI, como a HS FTII e a FT-1604X. A primeira tem 1,8m de largura, ao passo que a segunda apresenta largura de 1,6m.

Além de expor impressoras UV, a Mimaki apresentou suas principais impressoras sublimáticas da linha JV, que contempla o modelo JV300, capaz de trabalhar na velocidade máxima de 112,5m²/h. A Mimaki também foi representada por distribuidores como a TS2, que esteve na Fespa Brasil 2016 para exibir soluções da fabricante japonesa e outras marcas.

Fabricante, a J-Teck também esteve presente na feira para apresentar seu portfólio de produtos têxteis, entre eles a linha de insumos sublimáticos com cores fluorescentes. No estande da empresa, o visitante também pôde conferir a impressora Papyrus, fabricada pela D.gen, parceira da J-Teck no Brasil.

Impressora sublimática da D.gen, no estande da J-Teck

Embora tenha apresentado impressoras digitais de tecnologias variadas, a Roland DG destacou em seu estante dois novos modelos sublimáticos da nova série Texart, o RT-640 e o XT-640. A primeira pode trabalhar na velocidade de 48m²/h, em 4 cores. Já a XT-640 é mais produtiva e pode imprimir na velocidade de até 102m²/h, em 4 cores. Os dois equipamentos podem empregar tintas light, laranja e violeta, para aumentar a gama de cores reproduzíveis.

Além de apresentar um de seus principais modelos de impressoras sublimáticas, a Metalnox lançou na Fespa Brasil 2016 a prensa térmica 12000 Smart, modelo semiautomático com sobreposição de bandejas de 70cm x 110cm, no qual é possível obter uma redução de layout de até 30%.

Especializada em prover soluções para o mercado têxtil, a distribuidora Global Química apresentou na Fespa Brasil 2016 produtos de diversas marcas, como as tintas Xennia e Sensient e as impressoras da Epson. A empresa também apresentou materiais usados para sofisticação, como foils, glitters e pastas especiais.

Roland lançou duas impressoras sublimáticas na Fespa Brasil 2016

A EFI, que adquiriu recentemente a Reggiani, fabricante de equipamentos para estamparia têxtil, apresentou a ReNOIR Next, impressora industrial de entrada que pode ser alimentada por papel ou tecidos. Com o modelo de 3,4m de largura, é possível trabalhar na velocidade de até 440m²/h, em resolução de 150 x 600dpi.

Embora não tenha instalado em seu estande nenhuma impressora, a SPGPrints esteve presente na feira para mostrar suas soluções têxteis. Além de equipamentos, a empresa fornece tintas da marca Nebula, composta por insumos sublimáticos, reativos e dispersos compatíveis com cabeças Kyocera.

A fabricante italiana MS Printing esteve novamente na Fespa Brasil e destacou a MS JP4, impressora com sistema rolo a rolo e largura de 1,8m. O equipamento pode trabalhar na velocidade máxima de 180m2/h e resolução de 600dpi.

EFI mostrou ao público brasileiro a tecnologia de impressão têxtil da Reggiani

A Dystar foi outra fornecedora de tintas têxteis presente na Fespa Brasil 2016. Com sede em Cingapura, a empresa apresentou ao público brasileiro a série Jettex, composta por insumos para impressão sublimática e direta (reativa, ácida e dispersa).

Outra fabricante presente na exposição foi a Swiss Performance Chemicals. Com base na Suíça, a empresa desenvolve e produz insumos para sublimação e impressão direta. Além disso, provê soluções para preparação e acabamento de tecidos.

Além de assistência técnica especializada em equipamentos de grande formato, a Fix Impressoras vende a série de tintas sublimáticas Royal, demonstradas na exposição. Os insumos são compatíveis com cabeças Epson DX.

Além do modelo Epson F2000 no estande da Global Química, algumas outras impressoras garment, usadas para estampar camisetas, também foram expostas, como a Tex Pro, no estande da IGS.

Impressão UV

Dona de um amplo portfólio de equipamentos, a Mimaki destacou na feira a SIJ-320UV, impressora UV LED rolo a rolo com largura de 3,2m. A máquina é indicada para produção volumosa de materiais para comunicação visual.

Mimaki SIJ-320UV é indicada para imprimir materiais flexíveis

No estande da Ampla, fabricante nacional, o destaque ficou por conta da New Targa XT LED UV, impressora que tem entre seus recursos a AmplaSmart, tecnologia para monitoramento em tempo real das principais operações do equipamento. A máquina também apresenta o sistema AntiReverse, desenvolvido para dar maior estabilidade na alimentação das mídias. A Ampla também esteve presente no estande da VinilSul, onde uma unidade da New Targa XT Solvente havia sido instalada.

A VinilSul também apresentou, em parceria com a Durst, a Rho P10 160, impressora UV que emprega 10 cabeças de impressão e pode trabalhar com mídias rígidas ou flexíveis em velocidade de até 100m²/h.

Além de diversas soluções para sinalização e comunicação visual, a Akad exibiu a NovaJet UV M6, que emprega cabeças Ricoh Gen5. Plana, a máquina tem área de impressão de 2,5m x 1,22m e pode trabalhar com opcionais como tinta branca e verniz.

Impressora plana NovaJet UV M6 esteve no estande da Akad

No estande da Alphaprint o destaque ficou por conta da EFI H1625 LED, uma impressora híbrida de produção de nível médio. Além do padrão CMYK, a máquina trabalha com tinta branca para estampar mídias substratos flexíveis e rígidos de até 165cm de largura e 5cm de espessura.

A BR Group veio para a feira com um portfólio composto por impressoras ecossolvente, solvente, sublimática e UV. O lançamento da empresa para a Fespa Brasil 2016 foi a Jet Slim, impressora UV LED de entrada, com sistema rolo a rolo, largura de 1,6 ou 1,8m e conjunto de quatro cores (CMYK).

Já a Triangle, parceira da BR Group, também apresentou seu portfólio de tintas, entre as quais a ESC (ecossolvente compatível com a linha Epson SureColor), a ESD (ecossolvente compatível com cabeças de impressão Epson DX) e a FUS (UV para diversos modelos de impressoras de grande formato).

A Mutoh esteve presente na feira com estande próprio e também com a parceira Sign Supply. Entre os destaques da fabricante esteve a VJ 426, impressora UV de mesa indicada para estampar objetos promocionais, embalagens e peças diversas de sinalização.

Ampla expôs sua tecnologia de impressão UV rolo a rolo

Impressão látex

A impressão látex foi representada pela HP. No estande da fabricante, o visitante pôde conferir a linha HP Latex 300, terceira geração da tecnologia fabricada pela empresa. Três modelos compõem a série. A HP Latex 310 tem largura de 1,37m e trabalha na velocidade máxima de 48m²/h. Já a HP Latex 330 é maior, com 1,62m, e pode produzir a 50m²/h. O modelo mais avançado da família é o HP Latex 360, cuja velocidade máxima é de 91m²/h e acompanha eixo de recolhimento.

Toda linha Látex 300 foi apresentada no estande da HP

Impressão solvente

A grande novidade da Fespa Brasil 2016 na categoria de impressoras ecossolvente foi a SureColor S40600, da Epson, que embora não tenha participado com estande próprio, foi representada por expositores como a VinilSul e a T&C. A S40600 apresenta largura de 1,6m e emprega quatro cores e uma cabeça de impressão PrecisionCore. A máquina pode trabalhar na velocidade máxima de 58m2/h ou na resolução máxima de 1.440dpi.

Parceiros da Epson mostraram em primeira mão ao público brasileiro a SureColor S40600

A Glitter também aproveitou a feira para mostrar sua impressora solvente recém-lançada, a GEPF1927. Com largura de impressão de 1,9m, o equipamento pode empregar uma ou duas cabeças Epson DX. A empresa também tem em seu portfólio impressoras UV e sublimáticas, além de prensas térmicas e máquinas a laser.

Outra fornecedora de impressoras solvente presente na Fespa Brasil 2016 foi a Imprimiprinter, cujo catálogo é composto pelos modelos Jet Printer 16W1 e Jet Printer 18W1. As máquinas podem opcionalmente utilizar tintas sublimáticas.

 



Wasatch apresenta RIP dedicado a sublimação 3D

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 03/09/2014

Dlubak é processo de impressão sublimática que permite a decoração de objetos tridimensionais

Dlubak é um processo de impressão sublimática que permite a decoração de objetos tridimensionais

Mídias tridimensionais personalizadas estão se popularizando entre arquitetos e decoradores norte-americanos, que têm empregado o Dlubak, processo de sublimação em substratos de vários formatos e tamanhos. Com a técnica, é possível colorir e personalizar portas, painéis, trabalhos artísticos e elementos de design 3D.

No processo, a imagem é impressa em um filme sublimático, colocado sobre o substrato revestido com um pó específico. Em seguida, a película e a mídia são inseridas em fornos especiais que empregam mesas de sucção para fixar os materiais durante a sublimação.

A pré-impressão do processo é realizada com software RIP da Wasatch especialmente projetado para impressão sublimática. O programa inclui opções de espelhamento de imagens e registro dos arquivos trabalhados.

Sublimação em objetos tridimensionais pode ser usada na personalização de ambientes

Sublimação em objetos tridimensionais pode ser usada na personalização de ambientes

Diversos substratos podem receber impressão sublimática 3D

Diversos substratos podem receber impressão sublimática 3D

Fonte: My Print Resource



Dicas para produção de sublimação por calandra

Por João Leodonio em 04/03/2018
Calandra pode aumentar a produtividade, desde que bem utilizada

Calandra pode aumentar a produtividade, desde que bem utilizada

A sublimação por calandra é o processo de transferência de imagens realizada por equipamentos cilíndricos que produzem de forma ininterrupta. Pode ser direta ou realizada por meio de rolos de papel impresso.

Há duas formas de estampagem na sublimação por calandra: imagem localizada ou imagem corrida cobrindo toda a área do papel (posterior do tecido). Nos dois casos, pode-se utilizar o rolo de tecido ou o tecido já cortado.

A sublimação por calandra é uma excelente opção para quem quer sublimar tecidos em rolos e estampas corridas exclusivas, pois trata-se de um processo que oferece velocidade de produção rápida. É também uma boa opção para estampas localizadas e com o corte já feito. Antes de adquirir uma calandra, recomenda-se analisar a relação custo x benefício e compará-la com o processo folha a folha de prensa plana.

Cuidado: papéis e tecidos já cortados podem enrugar durante o processamento na calandra

Limites de largura

As larguras são estipuladas de acordo com o tecido e a estampa (dimensionada com a produção). As mais comuns são 1,20m; 1,50m; 1,60m e 1,80m, mas há exceções.

Tipo de tecido

Quanto à composição do tecido, o ideal é 100% poliéster ou composto com outro tipo de fio com alta quantidade de poliéster. O tecido tubolar não pode ser utilizado em função de seu tipo de fabricação.

Problemas

Papéis ou tecidos já cortados podem enrugar no processo e causar problemas de estrias. Eles também podem sair do lugar, e a estampa será transferida erroneamente. Portanto, é prudente evitar passar na calandra papel e tecido já cortados.

Quando se utiliza rolo de tecido e papel impresso, um dos problemas mais comuns é a falta de tensão por igual nos lados da calandra. Neste caso, a habilidade do operador faz toda a diferença. Além do acerto inicial, é preciso atentar-se durante todo o processo, para evitar que não aconteçam falhas na sublimação.

Quando o serviço colocado em máquina não está no rolo ou as imagens estão para fora do tecido (sangria), a manta de apoio da calandra pode manchar. O ideal é passar, entre o tecido e a manta, um papel kraft de 100g/m2, para ele absorver o excesso de tinta e proteger a manta.

Regule corretamente as varáives do processo, para evitar falhas e retrabalhos

Temperatura e velocidade

São as variáveis que limitam o processo e o tipo de tecido utilizado. Para sublimar alguns tipos de tecido, é preciso mudar as regulagens de temperatura e velocidade porque elas podem alterar a estrutura do fio.

Com a necessidade de maior produtividade, algumas empresas aumentam a velocidade da passada. Porém, se ela for superior ao mínimo para um serviço de qualidade, poderá acontecer falhas causadas pela pouca transferência e pouca exposição, como manchas mais claras. O ideal de velocidade é de 1 a 3 m/min.

Quanto à temperatura, a média é de 200ºC. O ideal é variar entre 195ºC e 220ºC. O recomendado é ajustar essa variável de acordo com o tipo de tecido, pois há materiais que não suportam temperaturas muito altas. Porém, deve-se observar a qualidade do serviço em temperaturas mais baixas.

Sobre o autor: João Leodonio atua no segmento gráfico há 10 anos, como gerente de produção e consultor. Tecnólogo em produção gráfica, atuou como palestrante pela Imprensa Oficial, de Angola, e como consultor de processos produtivos. É proprietário da Pari Transfer Sublimático