Kornit lança impressora têxtil de grande formato

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 18/04/2019
Kornit Presto imprime diretamente em diversos tipos de tecidos

Kornit Presto imprime diretamente em diversos tipos de tecidos

A Kornit Digital, fabricante de equipamentos para estamparia digital, anunciou a nova Kornit Presto, solução industrial de impressão direta em tecidos. A máquina não exige pré e pós-tratamentos nos substratos e trabalha com uma variedade ampla de materiais e aplicações. Além disso, não consome água no processo, o que a torna mais amigável ao meio ambiente.

A Kornit Presto emprega tintas pigmentadas da linha NeoPigment Robusto, que oferece alta resistência à lavagem e alta solidez de cor. Segundo a fabricante, os insumos possuem características de ligação física e química mais rápidas que demandam um tempo de cura menor. Além disso, são aprovadas com os selos Eco Passport e GOTS V5.

Indicada para os segmentos de moda e decoração de interiores, a impressora vem com múltiplas configurações e é capaz de rodar a 450m2/h. Ainda de acordo com a empresa, a Kornit Presto será lançada comercialmente na ITMA Barcelona, feira que ocorrerá entre os dias 20 e 26 de junho. Porém, os pedidos iniciais para aquisição da máquina já estão sendo recebidos.

Gart Davis, CEO da Spoonflower, cliente da Kornit, declarou: “Ficamos felizes em poder testar a Kornit Presto, que imprime lindamente em todos os tipos de tecidos, em single-step, com um processo ecologicamente correto. A nossa parceria com a Kornit continua a ser fundamental para a nossa missão de tornar o tecido personalizado acessível a designers, criativos e pequenas empresas”.

Fonte: Kornit



Case: Sinais investe em impressora UV e expande negócios

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 12/11/2018
Ivan Larrubia, proprietário da Sinais Comunicação Visual, investiu em uma unidade da Durst Rho P10-160 para se diferenciar no mercado

Ivan Larrubia, proprietário da Sinais Comunicação Visual, investiu em uma unidade da Durst Rho P10-160 para se diferenciar no mercado

Sinal de bons auspícios é quando o empresário volta a investir e ter boas perspectivas sobre seus negócios. É o caso do proprietário da Sinais Comunicação Visual, Ivan Larrubia, que adquiriu recentemente uma impressora UV Durst Rho P10-160. Alguns meses atrás, o executivo plenajeva obter uma ferramenta que fosse um diferencial. No caso da Sinais, a diferenciação viria por meio de uma tecnologia que ainda não fazia parte do parque gráfico da empresa, a impressão UV industrial.

Foi nessa época que o gerente de máquinas industriais da VinilSul, Antonio Carlos Celete, entrou em contato com Larrubia: “Eu conhecia o Ivan há muito tempo, praticamente desde o começo das atividades da Sinais. Então, ofereci a Rho P10-160 sem nenhuma pretensão. Ele (Ivan) entendeu que o equipamento estava acima das possibilidades dele, não em termos de estrutura física e financeira, mas sim em função do momento. Mas a Sinais começou a receber pedidos de altos volumes, e isso abriu novas oportunidades”.

As pretensões por diferenciação e impressões múltiplas e o aumento das demandas por materiais rígidos precipitaram o investimento na Durst, que foi concluído na Serigrafia Sign 2018. “Pouco depois da visita da VinilSul, eu estive na feira, onde pude conhecer melhor a tecnologia, além de tirar dúvidas”, comenta o dono da Sinais. Como resultado, alguns meses depois, o birô estaria com uma unidade da Rho P10-160 rodando perfeitamente em suas instalações.

Impressão UV permitiu a impressão direta em diversos materiais rígidos

A tecnologia

A diferenciação e a nova demanda por produtividade – sobretudo em mídias rígidas – levou a Sinais a investir na impressora da Durst. A máquina cumpriu com as expectativas de Larrubia, não só em função da tecnologia UV, que possibilita a impressão direta em inúmeras mídias, mas também porque oferece a capacidade de estampar com a tinta branca.

A tinta branca é um dos diferenciais que o executivo procurava: “Oferecíamos placas de acrílico com impressão no verso. Mas como nossa impressora anterior não tinha tinta branca, precisávamos colar adesivo branco no verso dessas placas. Era necessária mão de obra manual para finalizar o serviço, o que aumentava muito o tempo de produção. Então, usamos a Durst para imprimir diretamente nas placas. Quando o cliente viu o resultado disso, ficou muito feliz com a qualidade".

Além do branco, a Durst Rho P10-160 emprega tintas CMYK, light cyan e light magenta da série Rho Premium WG, desenvolvida para aderir a materiais plásticos. Por esse motivo, os insumos estampam uma gama maior de mídias flexíveis e rígidas. Entre elas, o acrílico e o policarbonato (sem a necessidade de primers), além de chapas corrugadas. Há também as tintas laranja e verde, vendidas como opcionais. Outros opcionais são o kit para corrugados e o kit de impressão rolo a rolo (para a P10 200/250). Em função da capacidade de trabalhar com um maior número de substratos, a impressora é indicada a produção de artigos de sinalização comercial (displays e totens), decoração (cenografia e estandes) e aplicações especiais (teclados de membrana, por exemplo).

Com largura máxima de impressão de 1,6m, a Durst Rho P10-160 produz na velocidade de até 100m2/h (no modo produção) e roda com a resolução padrão de 1.000dpi, para produzir imagens com suavização e cores sólidas homogêneas e sem marcas de passadas em impressão biderecional. Isso porque a máquina emprega cabeças Quadro Array 10, com nozzles em silicone alinhados microscopicamente. Além disso, conta com sistema de motor magnético linear patenteado, para garantir a precisão no disparo das gotas.

Durst Rho P10-160 deu conta das novas demandas por alta produção de materiais rígidos na Sinais

Sinais de bons augúrios

Localizada em Campo Limpo Paulista, em SP, a Sinais é uma empresa de 22 anos. A despeito de atualmente despontar entre as grandes referências da região, ela começou bem pequena: “No início eram apenas alguns pincéis, uma escada e um faixeiro de madeira que ficava no fundo do quintal. Isso mesmo! Começamos com pintura de faixas de morim. Talvez os mais moderninhos não saibam o que é isso... Mas a Sinais tem tinta no sangue”, revela Larrubia.

O passo seguinte da Sinais foi adquirir uma plotter de recorte. Assim como muitos outros birôs nos anos 90, a tecnologia de recorte teve papel determinante ao abrir oportunidades e ampliar a oferta de serviços. Da pintura e do recorte, a empresa evoluiu para a impressão digital de grande formato: adquiriu um equipamento de tecnologia solvente. Dois anos depois, houve a ampliação do parque produtivo, com a aquisição de outra solvente: uma impressora com 3,2m.

Impressão de tinta branca e produtividade foram os diferenciais buscados pela Sinais 

Como empresa que evolui constantemente, seguindo as tendências do mercado, a Sinais fez a transição para as tecnologias látex e UV. A entrada da empresa no segmento UV indusrial se deu com a Durst Rho P10-160: “O objetivo (ao adquirir a impressora) era produzir com mais qualidade e velocidade, superando a tecnologia solvente”, explica Larrubia.

Instalada há poucas semanas no parque gráfico da Sinais, a Durst tem sido objeto de grande expectativa. Além de empregar tecnologia UV, o equipamento é de uma marca reconhecida por sua estabilidade e qualidade. “Com essa impressora, vamos poder atender um número maior de clientes. Assim, temos a expectativa de dobrar nosso faturamento em breve”, revela com exultação o proprietário do birô.

Este conteúdo teve a VinilSul como mecenas

 



Pré-tratamentos para impressão direta em tecidos

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 25/08/2017
Tecido atravessa rolos de 3,5 toneladas para o controle da qualidade da química do revestimento

Tecido atravessa rolos de 3,5 toneladas para o controle da qualidade da química do revestimento

A impressão digital está ganhando espaço na indústria têxtil mundial. Apesar de a tradicional sublimação (de transferência com papel) ainda fazer sucesso nesse segmento, os equipamentos de impressão direta estão evoluindo a passos largos.

Quando a impressão digital é realizada diretamente no tecido (com tinta dispersa, ácida, pigmentada ou reativa), o tecido deve receber primeiro um pré-tratamento ou revestimento. A composição química deste tratamento varia de acordo com a tinta utilizada e do tecido, sendo um segredo que cada fabricante usa para diferenciar seu produto. Na maioria dos casos, esse processo é realizado durante a fabricação do tecido – e uma das exceções será tratada neste artigo. No entanto, o usuário final deve entender como funciona esse processo e os impactos dele na qualidade e nas cores estampadas.

Métodos de aplicação do pré-tratamento

Atualmente, há três métodos de aplicação do pré-tratamento. O primeiro, e mais comumente usado, é o “pad-emulsion” (“placa de emulsão”), na qual o tecido é submetido a um banho químico e, posteriormente, passa por cilindros que retiram o excesso do produto. O segundo é um processo que se assemelha ao “pad-emulsion”, mas, em vez de cilindros, faz uso de uma faca ou de uma lâmina dosadora para a retirada da cobertura excessiva. Por fim, o terceiro método é o revestimento aplicado com spray.

A finalidade em todos estes processos é controlar a quantidade dos químicos a fim de manter a consistência da cobertura. A composição do tecido e o tipo de cobertura geralmente ditarão qual método deverá ser utilizado. Lembre-se de que os pré-tratamentos são diferentes; alguns podem afetar a resistência à luz e à lavagem e alguns podem distorcer as estampas e imagens.

Pré-tratamento sendo misturado no tanque

Propriedades do pré-tratamento

A finalidade primária do pré-tratamento é evitar que a tinta seque ou migre durante a impressão. O outro propósito é assegurar a adesão tecido do corante ou da tinta. Outra parte do processo diz respeito à adição de químicos que permitem que o tecido passe pelo teste de chama. A química que impede a tinta de migrar também altera a química do material que confere ao tecido uma proteção contra o fogo, o que o dificulta o processo. A maioria dos fabricantes dá ênfase em atingir ou os padrões de 1989 da National Fire Protection Association (NFPA) ou os testes do State of California Fire Code (CAL 19). Alguns dos itens impressos que precisam da resistência ao fogo são displays de PDV, cortinas e blackouts, estofados, atapetados, toalhas de mesa, papéis de parede, carpetes, tendas e alguns vestuários.

É importante salientar que há diferentes tipos de revestimentos. Um revestimento ruim ou inconsistente pode causar falhas provocadas por baixa resistência à luz, lavagem, desgaste e textura e tato (toque). É bom esclarecer e definir o significado de alguns dos termos: “resistência à luz” e “resistência à lavagem” são termos óbvios. Porém, “desgaste” é um termo usado para se referir ao ato de esfregar o tecido até que a tinta saia, quando submetido ao desgaste. A American Association of Textile Chemists and Colorists (AATCC) definiu um teste que pode ser utilizado para determinar o desgaste de um tecido. O “tato” se refere a sentir o tecido entre os dedos e o polegar, sendo que alguns tecidos são naturalmente mais firmes e espessos, enquanto outros, como a seda, são muito macios ao toque. O objetivo do pré-tratamento é evitar que a textura do tecido seja alterada drasticamente.

Outros exemplos de falhas provocadas por aplicação ruim ou incorreta do revestimento são riscos, listras, manchas e cores inconsistentes, que acontecem com mais frequência no pré-tratamento aplicado com spray, apesar destes problemas também aparecerem nos outros métodos. Solicitar uma amostra do tecido para que você possa imprimir e sublimar é sempre uma boa opção. Alguns problemas, como o amarelamento do revestimento, podem não surgir até que o calor seja aplicado. Isso também dá a oportunidade de avaliar a qualidade do pré-tratamento.

Tecido passando pelo tanque de imersão e depois correndo pelos cilindros

Vantagens e desvantagens

O benefício principal da impressão direta em tecidos é a eliminação dos custos do papel de transferência. Não se trata de uma diferença significante, já que o processo de impressão direta pode demandar o uso de mais tinta: entretanto, após um tempo, a economia pode aumentar. Para aplicações específicas, sobretudo de sinalização, bandeiras, banners e luminosos, a grande vantagem é a penetração da tinta no tecido. Na impressão de bandeiras, por exemplo, a tinta penetra no tecido e torna possível ter a mesma cor na frente e atrás da peça. A imagem pode ser distorcida, mas, considerando que bandeiras e banners são vistos à distância, isso não é um problema.

Para aplicações como em artigos de tapeçaria, cortinas e jogos de mesas, em que são necessárias fixação da cor e a alta resistência ao UV, a alta saturação da tinta de impressão direta é um diferencial.

Uma última vantagem a considerar diz respeito à impressão em tecidos que esticam. No processo de transferência em tecidos brancos, a tinta permanece na superfície. Quando o tecido estica, é possível ver uma linha branca. Na impressão direta, a tinta satura mais o tecido e isso diminui muito a probabilidade de surgir ranhuras quando o tecido for esticado.

Contudo, há algumas desvantagens da impressão direta a serem consideradas. Alguns revestimentos podem fazer com que o tecido se torne mais firme e espesso ao toque, o que não é desejável em peças de vestuário. Além disso, há o problema do excesso de tinta. Se o tecido não for devidamente aquecido e seco após a impressão, a tinta em excesso pode migrar, espalhar e manchar o tecido quanto ele for dobrado ou enrolado. Com relação aos tecidos destinados à fabricação de vestuário, o suor também pode fazer o excesso de tinta correr, de modo que a utilização da impressão direta para roupas não é recomendada.

A última desvantagem é o processo em si. A impressão por transferência é mais usual do que a impressão direta. Imprime-se em um papel em vez de fazê-lo no tecido, sendo essa técnica geralmente mais fácil de dominar.

Dicas para obter melhores resultados

O armazenamento e o manuseio são importantes no pré-tratamento têxtil. É recomendado utilizar o rolo de tecido assim que abri-lo. É também importante armazená-lo no saco plástico original, climatizando-o algumas horas antes de submetê-lo à impressora. Ademais, é importante procurar por riscos, ranhuras e marcas de compressão próximos ao fim do rolo.

Controlar a umidade do ambiente em que a impressão será realizada é importante, porque o ambiente seco dificultará a absorção. Além do mais, usar a opção de pós-aquecimento da impressora é uma boa forma de fazer com que a tinta seque o suficiente para que não ela não se espalhe ou manche no momento em que o tecido for enrolado.

Tecido entrando no forno de secagem

Exceções: tinta pigmentada e Kornit

A razão pela qual o revestimento é usado na impressão de tinta pigmentada é aumentar a adesão do insumo ao tecido. A tinta pigmentada não tem aditivos aglutinantes muito fortes, porque o tamanho de suas moléculas são grandes e podem cria problemas nas cabeças de impressão. O pré-tratamento para pigmentos é um trabalho em progresso, e melhorias estão sendo feitas. A indústria está se buscando encontrar a química capaz de ser ejetada pelas cabeças de impressão.

Conforme mencionado no início do artigo, a impressão realizada diretamente no tecido requer que este seja pré-tratado ou receba um revestimento antes de ser submetido à impressora. Há uma outra exceção, que é a impressora rolo a rolo Kornit Allegro, que emprega o processo “fixation to fly”. Com a Kornit Allegro, o pré-tratamento é aplicado como parte do processo de impressão, o que significa que é possível submeter, virtualmente, qualquer tipo de tecido à impressora (incluindo poliéster), aplique o pré-tratamento, imprima e cure o tecido em um único processo - a impressora tem um aquecedor embutido que aplica a tinta ao tecido.

Considerações finais

Cconversei com Tommy Martin (da Mimaki), Scott Fisher (da Fisher Textiles) e Mike Sanders (da Pacific Coast Fabrics), para aprender um pouco mais sobre o assunto e acrescentar comentários deles neste artigo.

Martin notou que para quem usa a nova TX300P-1800, que imprime diretamente em tecidos, o pós-tratamento se mostrou tão importante quanto o pré-tratamento na manutenção da “fofura” do tecido (neste ponto, imagine o algodão) após a impressão. Ele também notou que os revestimentos causam impacto no gerenciamento de cores - outra boa razão para solicitar uma amostra que possa ser impressa e aquecida, para verificar se o revestimento vai amarelar ou não.

Fisher notou que a leva atual das máquinas que imprimem diretamente no tecido estão fazendo uso de tinta dispersa aquosa. Ele acredita que o próximo passo será uma tinta dispersa solvente. Tintas solventes secam mais rápido (e por conta disso reduzem as ranhuras do papel), conferindo maior durabilidade ao produto final. Ele acredita que logo elas terão um papel maior no mercado.

Sanders acha que as tintas pigmentadas (tal como o modelo Kornit Allegro) estarão mais presentes entre indústrias que estampam fibras e composições de tecidos. A pigmentação resistente à luz é um grande diferencial e terá um papel maior na impressão de itens para decoração e vestuário. Ele ainda aponta que os pigmentos melhoraram nos últimos anos e que os poucos obstáculos - sobretudo o desgaste em cores escuras - estão sendo superados. Sanders acredita que o mercado da decoração e do vestuário sofrerão mudanças drásticas uma vez que esse problema seja resolvido.

A impressão digital realizada diretamente no tecido é um mercado em ascensão, que está tomando o lugar da tradicional impressão em vinil. As oportunidades estão aumentando com a abertura de novos mercados (decoração, vestuário, feiras de exposição etc). A tradicional sublimação digital ainda reina no mundo têxtil. Porém, o desejo de imprimir em uma variedade maior de tecidos, este mercado sofrerá reduções e as impressões digitais realizadas diretamente no tecido serão a onda do futuro. Entender o processo, tanto quanto compreender as vantagens e desvantagens, te deixará bem preparado e bem posicionado para enfrentar as mudanças pelas quais passaremos nos próximos anos.

Sobre o auto: Ray Weiss é especialista da SGIA

Este artigo foi publicado inicialmente no SGIA Journal e reproduzido pelo InfoSign com a permissão da SGIA (this article first appeared in the SGIA Journal and is reprinted with permissions from the SGIA).