Inscrições abertas para o Cambea 8

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 22/12/2017
Oitava edição do campeonato tem novidades

Oitava edição do campeonato tem novidades

Os organizadores do Cambea (Campeonato Brasileiro de Envelopamento Automotivo) abriram as inscrições para a oitava edição da competição, que será na ExpoPrint Latin America, feira que ocorrerá no Expo Center Norte, em São Paulo, entre os dias 20 e 24 de março de 2018. O vencedor terá a oportunidade de disputar o World Wrap Masters Series, em Berlim, na Alemanha.

Entre as novidades do Cambea 8 está a Modalidade Pro, em que 18 equipes disputam o acesso e devem envelopar a lateral de um carro em apenas uma hora (não mais uma hora e meia, como nas edições passadas). Além disso, haverá uma semifinal no quarto dia (sexta-feira), entre seis equipes. Dessas, apenas três a final no sábado, dia 24 de março, com a missão de envelopar o carro inteiro, em cinco horas.

Outra atração do evento é o Cambea Fast. Nela, qualquer pessoa pode envelopar o capô de um carro. A ideia é fazer o trabalho no menor tempo possível, e quebrar o atual recorde, que é de 4min35s. 

A ExpoPrint também contará com o Cambea Lab, espaço onde será possível aprender técnicas únicas de envelopamento. Justin Pate, considerado um dos maiores especialistas em envelopamento automotivo do mundo, marcará presença e apresentará seus macetes, adquiridos ao longo de 20 anos de experiência.

Outras atrações também poderão ser vistas no estande da Alltak, idealizadora do Cambea. O holandês Joffrey Van Der Jagt, da ProWrap, especialista no estilo livre, estará no Brasil para transformar carros em obras de arte.

As inscrições para o Cambea Pro estão abertas no site do Cambea (www.cambea.com.br). Para as demais provas, o participante pode fazer suas inscrições gratuitas durante o próprio evento.

O Cambea conta com a idealização e patrocínio da Alltak, APS Marketing de Eventos e ExpoPrint Latin America. 

Marcelo Souss, idealizador do evento, declarou: “Queremos fazer o melhor CAMBEA de todos os tempos, promovendo o maior encontro do envelopamento do país, reunindo o que há de melhor no cenário nacional”.

Fonte: Expoprint



Cobertura EFI Connect 2018

Por Luiz Ricardo Emanuelli em 15/02/2018
O InfoSign esteve na 18ª edição do evento e apresenta as informações relevantes sobre tecnologia inkjet, estamparia têxtil e comunicação visual

O InfoSign esteve na 18ª edição do evento e apresenta as informações relevantes sobre tecnologia inkjet, estamparia têxtil e comunicação visual

Uma superconvenção para reunir e atualizar centenas de profissionais ligados à indústria de impressão de todo mundo: esse é o Connect, que em 2018 chegou à sua 18ª edição e contou com mais de 220 palestras.

Uma iniciativa da EFI (Electronics for Imaging), fabricante norte-americana de softwares gráficos e impressoras digitais, o evento ocorreu entre os dias 23 e 26 de janeiro, em Las Vegas (EUA), e teve entre suas atrações uma exposição de soluções gráficas e centenas de sessões com abordagens diversas, de tendências no mercado de comunicação visual a novas tecnologias para estampar papelão ondulado.

O lugar certo para se informar sobre impressão digital, sobretudo inkjet UV, o Connect contou com a participação maciça de executivos e de grande parte da mídia especializada internacional. O InfoSign acompanhou os quatro dias da conferência e compilou a seguir as informações mais relevantes sobre lançamentos, tecnologias de grandes formatos, estamparia digital têxtil e impressão a jato de tinta para corrugados, embalagens e etiquetas.

Ajudar a experienciar o ambiente sem estar nele de fato. A EFI começou a usar a tecnologia de realidade virtual para demonstrar a Nozomi, impressora inkjet industrial para corrugados

Indústria 4.0

No primeiro dia do evento, 23 de janeiro, as boas-vindas foram dadas pelo CEO da EFI, o israelense Guy Gecht. Na palestra de abertura, ministrada na sala principal, o executivo contou brevemente a história da empresa (fundada em 1988 por Efi Arazi) e discorreu sobre os impactos da Indústria 4.0 no setor de impressão.

Com a iminência da Quarta Revolução Industrial e a adoção cada vez maior de dispositivos digitais (smartphones e computadores pessoais), muitos tipos de materiais impressos deixaram de ser produzidos. Basta pensar na obsolescência dos boletos ou na decadência nas vendas de revistas e jornais. Tomando tais exemplos, é lógico pensar que a impressão está fadada a colapsar. Porém, na visão do executivo da EFI, ela está bem longe disso. O que está em curso é uma mudança no establishment da indústria gráfica geral. Trata-se de um processo de transformação como passou o ramo da música, que foi da vitrola ao download, embalada por empresas disruptivas como o Napster.

Com tudo e todos mais conectados à internet e dispositivos digitais, fica a questão: Como a impressão se encaixa nisso tudo e como as empresas gráficas se adaptarão a essa nova realidade? A resposta do CEO da EFI é tão simples quanto perspicaz: “Ela não se resume a documentos ou produtos editoriais. A impressão pode estar em qualquer material que possa receber imagens. Se abraçarmos essa ideia, há uma enorme e nova oportunidade. É um mercado muito maior a ser explorado”. E a tecnologia que possibilita imprimir praticamente em qualquer superfície (sem tocá-la) é a inkjet (a jato de tinta), que também oferece a criação de trabalhos personalizados para atender à demanda por designs adaptáveis. “As indústrias que usam imagens, como de moda, arquitetura, displays e embalagem, precisam de ferramentas de personalização e produção sob demanda”, completa o executivo.

Gecht citou o exemplo das caixas de papelão ondulado. Já é possível imprimir imagens personalizadas nelas de acordo com o público que as receberá. A indústria de vestuário é outra que tem se beneficiado com as possibilidades de customização oferecidas pela impressão inkjet industrial. Na arquitetura, projetos de decoração utilizam peças de cerâmica com estampas produzidas digitalmente para imitar a superfície de madeiras.

Na conclusão da palestra, o CEO da EFI reiterou que a Quarta Revolução Industrial é iminente e traz novas, maiores e mais lucrativas oportunidades para os que trabalham na área de impressão.

E no Brasil? “A EFI está entrando na Indústria 4.0. Os nossos produtos são globais e desenvolvidos para serem utilizados em qualquer parte do mundo. Em 2018, por exemplo, provavelmente teremos algumas novas impressoras Nozomi instaladas na América Latina. Atualmente no Brasil, estamos conversando com clientes que trabalham com corrugados para comunicação visual e embalagens, sobretudo empresas que produzem o que chamamos de embalagens secundárias. Por exemplo, ao comprar um produto na Amazon, o cliente recebe a embalagem do próprio produto e a embalagem secundária, que vem com informações personalizadas para esse cliente. Aí entram a inteligência artificial e a personalização, características da Quarta Revolução Industrial”, responde Erande Ramos, diretor de vendas da EFI para a América Latina.

Assista à palestra (em inglês) do CEO da EFI no vídeo abaixo:

Lançamentos

No dia 24 de janeiro, na sala principal do Connect, diante de uma plateia de executivos de birôs e gráficas, Marc Olin, CFO da EFI, apresentou o panorama das soluções de software e hardware da empesa e emendou mostrando os lançamentos do primeiro quadrimestre de 2018. Para o mercado de grandes formatos, as novidades apresentadas foram a impressora FabriVU340i e a série Vutek HSF4 (com os modelos 125 e 100).

Indicada para estamparias digitais de produção industrial, a FabriVU340i é uma sublimática com 3,4m de largura e sistema de fixação em linha cuja capacidade de produção é de 250m2/h.

Já disponíveis, os modelos 125 e 100 da série Vutek HSF4 são equipamentos UV com sistema híbrido de alimentação de mídias. Com configuração de tinta de duplo CMYK, as máquinas são indicadas para produção econômica de banners, outdoors, fachadas de prédios e aplicações similares. As impressoras incluem os recursos da série EFI Vutek HS, como a tecnologia “Pin and Cure” e funções de manipulação de substratos semi ou totalmente automatizada.

EFI mostrou seus próximos lançamentos: impressoras industriais para estamparia têxtil e comunicação visual

Grandes formatos

Entre as várias sessões dedicadas a impressão de grandes formatos, uma das mais destacadas foi a de Marco Boer, vice-presidente da IT Strategies, que ministrou a palestra “Wide format graphics forecast, opportunities” (Previsões e oportunidade em grandes formatos). Nela, o executivo da consultoria internacional discutiu a atual situação do mercado e das tecnologias do segmento. Quem se dedica a estudá-lo depara inevitavelmente com a dificuldade de classificar as impressoras de grande formato. Para a tarefa, quais seriam os melhores parâmetros? Boer sugeriu algumas alternativas, como os tipos de mídias (rígidas ou flexíveis) e os tipos de tintas (látex, UV e solvente). Outra dificuldade é a classificação das empresas que adotam essas máquinas: gráficas comerciais, gráficas rápidas, prestadores de serviços de impressão ou laboratórios fotográficos. As definições estão constantemente mudando.

Entre as tendências do mercado de grandes formatos apontadas pelo vice-presidente da IT Strategies está o crescimento até 2021 do volume de impressões. Atualmente, a dona do maior bolo é a categoria de máquinas solventes/látex, seguida pela categoria de impressoras UV.

Boer apresentou também dados sobre o histórico de instalações de impressoras UV no mundo, segmentando a categorias em: flatbed de custo de até 200 mil dólares; flatbed de mais de 200 mil dólares; rolo a rolo de até 200 mil dólares; rolo a rolo de mais de 200 mil dólares. Em 2016, no mundo, haviam sido vendidos quatro vezes mais modelos flatbed que rolo a rolo. Além disso, no mesmo ano, foram impressos mais materiais flexíveis que rígidos em UV, um cenário que tende a se manter até 2021, sobretudo no segmento dos produtos vinílicos, como lonas e autoadesivos.

O palestrante também ressaltou os benefícios da UV LED, como aumento de produtividade, economia de energia, operações limpas e ausência de ozônio na produção. Entre as desvantagens estão o custo mais elevado da tecnologia e de seus insumos. E a tendência é que a UV LED substitua nos próximos anos as lâmpadas convencionais.

Na conclusão da apresentação, Boer ressaltou que a demanda por impressos de grandes formatos continuará forte, as aplicações continuarão a se proliferar e a tecnologia de cura UV é a líder em termos de produtividade.

Impressão inkjet tem o potencial de estampar inúmeros tipos de superfície

Impressão digital em tecidos

Além de tratar de grandes formatos (tópico acima), Marco Boer, vice-presidente da IT Strategies, ministrou a palestra “Soft signage market & opportunity” (Soft signage: mercado & oportunidade). No segmento de impressão digital em tecidos para aplicações de sinalização e decoração, a tendência mais expressiva tem sido a expansão dos tipos de aplicações. Além de materiais mais usuais e simples, como banners e tendas, há uma nova demanda por peças com design funcional, como muros e móveis infláveis e cortinas instaladas em projetos de arquitetura. No entanto, na América do Norte, o mercado de soft signage ainda está calcado nas instalações mais tradicionais: objetos envelopados (9%), banners (11%), bandeiras (16%), aplicações em ambientes internos (17%), banners e estandes para feiras de negócios (23%) e peças de ponto de venda (24%).

O executivo também destacou os benefícios da impressão sublimática em tecidos, como as cores brilhantes, o processo ambientalmente amigável, o crescimento do mercado e o substrato mais leve e fácil de manipular e transportar.

Por ora, a tecnologia mais disseminada para o soft signage é a sublimação transfer. Na comparação com a impressão sublimática direta, a transfer permite melhor calibração de cores e não requer pré-tratamento no tecido. Porém, pode causar problemas de registro em grandes larguras e ser complicado de lidar em produções de altas tiragens.

Por fim, Boer pontuou que em 2017, na América do Norte, 102 milhões de m2 de soft signage foram produzidos. A estimativa é que o número cresça para quase 146 milhões de mem 2020. Trata-se de uma atividade em ascensão, não apenas pelo aumento da demanda por novas aplicações, mas também por tomar uma fatia de mercado de alguns trabalhos que usam mídias vinílicas, sobretudo lonas.

Outro a falar sobre soft signage foi Mike Wozny, gerente de produto da EFI. Além de abordar os softwares, consumíveis e impressoras sublimáticas da própria empresa, o executivo apontou fabricantes de tecidos, equipamentos de acabamento e requisitos ambientais para a instalação do maquinário na gráfica.

Wozny apresentou as vantagens da tecnologia de impressão sublimática e mostrou as razões da ascensão do soft signage. Por exemplo, nos Estados Unidos, muitos clientes têm preferido usar o tecido porque ele valoriza as marcas, além de serem completamente sem odor e fáceis de dobrar, limpar e reutilizar. Os provedores de impressão também se beneficiam ao utilizar os tecidos porque são mais fáceis de serem instalados e transportados, o que diminui custos operacionais.

A indústria têxtil é uma das grandes beneficiadas pelas ferramentas de personalização oferecidas pela impressão inkjet

Displays e embalagens

Outra palestra a tratar de números e tendência de mercado foi a “2018 Outlook and trends in digital inkjet for corrugated, packaging, and merchandise displays” (Panorama 2018 e tendências na inkjet digital para corrugados, embalagens e displays), ministrada por Marco Boer, vice-presidente da IT Strategies. Dessa vez, o executivo da consultoria internacional apresentou dados do volume de embalagens (etiquetas, cartonadas, flexíveis e corrugadas) impressas tanto em processos convencionais quanto em inkjet. Nas estimativas do palestrante, há uma tendência de crescimento geral do mercado global até 2019.

Na América do Norte, as caixas corrugadas são majoritariamente impressas por processos convencionais. Em 2017, 854 bilhões de páginas foram estampadas por sistemas analógicos, ao passo que 1,5 bilhão de páginas foram impressas em inkjet. Essa diferença, pelas projeções do IT Strategies, está bem longe de diminuir. Porém, o digital tende a crescer e estampar 6,1 bilhões de páginas em 2020. Isso ocorrerá em função das novas demandas do segmento de varejo, que tem exigido maior variedade de tipos de caixas corrugadas.

Boer concluiu dizendo que, embora os processos convencionais ainda sejam muito fortes e tendam a ganhar mercado, a digital para corrugados veio para ficar. Atualmente, o mercado está adotando a tecnologia principalmente para atender ao varejo, tanto na produção de displays quanto de caixas personalizadas. E o executivo vaticina que o crescimento pode ser ainda maior do que as projeções atuais.

Nozomi imprime caixas corrugadas e personalizadas com alta qualidade de imagem

O grande destaque da EFI para a impressão inkjet de embalagens corrugadas é a Nozomi C18000, impressora UV LED capaz de produzir nada menos que 75 metros lineares/min ou 7.224m2/h, em folhas de 1,8m × 3m. Em impressão em dois níveis e folhas de 0,8m × 1m, a máquina estampa até 6.600 peças/h. Trata-se de uma tecnologia de altíssima produção e, proporcionalmente, de custo maior de aquisição e instalação.

Para mostrar os benefícios da Nozomi, o CEO da EFI, Guy Gecht, reuniu no dia 23 de janeiro, na sala principal do Connect, dois usuários do equipamento: Eric Bacourt, CEO da Hinojosa Packaging Solutions (gráfica espanhola especializada em corrugados) e Mal McGowan, CEO da McGowans Print (birô irlandês de displays para pdv e grandes formatos). No bate-papo, que girou em torno das vantagens produtivas da impressora, McGowans foi taxativo: “A Nozomi foi uma virada de jogo. Foi uma grande transformação na tecnologia digital nos últimos dez anos. A impressão dela é melhor e tem um visual diferente. E ela me permitiu começar a exportar displays para o Reino Unido e para a Europa, porque eu posso imprimir o mesmo display em uma só tiragem, mas variando os idiomas dos textos contidos neles”.

Confira abaixo (em inglês), a reunião dos executivos:

Balanço do EFI Connect 2018

Ampliar networking. Conhecer novas tecnologias. Ficar por dentro de panoramas e tendências de mercado. Essas são algumas das oportunidades únicas oferecidas por uma conferência nos moldes do EFI Connect. Pujança e opulência dão o tom do evento, que está aí para disseminar informações e ferramentas para abrir a cabeça do empresariado e – mais importante – fazer com que elas sejam aplicadas para proveito e lucro. A edição 2018 do evento deixou claro que o mundo digital e a Indústria 4.0 estão desencadeando transformações inexoráveis no universo da impressão. Aqueles que negligenciarem a nova onda certamente serão varridos por ela. Mas enquanto os apegados aos paradigmas antigos estão fadados a falir, outros tantos se beneficiarão da ocasião. Para os que preferem estar entre os bem-sucedidos, além de visão e inteligência, é fundamental ter e usar as informações corretas. E o Connect prova ser uma excelente fonte dessas informações.



Gerenciamento de cores para impressoras de grande formato

Por Ronaldo Rufino em 26/03/2013

Reproduza as cores certas ao utilizar o sistema de gerenciamento de cores (com perfis ICC). A seguir, explicamos como fazer isso, algo que vai diminuir seus custos (de tempo e material) sem comprometer a qualidade das cores impressas.

Reproduza as cores certas ao utilizar o sistema de gerenciamento de cores (com perfis ICC). A seguir, explicamos como fazer isso, algo que vai diminuir seus custos (de tempo e material) sem comprometer a qualidade das cores impressas.

Diariamente, profissionais da nossa área descrevem suas dificuldades por não tornar suas impressoras capazes de reproduzir o que se enxerga no monitor. Acredito que muitos leitores já passaram por essa situação.

A compreensão das cores parece ser algo muito simples. Contudo, as câmeras, impressoras digitais e monitores parecem ter uma dificuldade enorme em compreendê-las! Tais situações podem ser decorrentes da falta de controle no processo. E para que possamos tê-lo, é preciso compreender alguns conceitos, como esses que estão explanados nos tópicos a seguir:

O que é um sistema de gerenciamento de cores?

O gerenciamento de cores pode ser descrito como uma ciência baseada na percepção humana — com a qual é possível manter a aparência das cores, independente do dispositivo utilizado para reproduzi-las. Cada dispositivo reproduz cores de maneira diferente. Na ilustração abaixo, veja o quão perceptível são estas diferenças, causando um grande descontentamento com o resultado final.

Compare a diferença entre as cores de uma mesma imagem. A primeira imagem representa a nossa maneira de enxergar. As demais mostram como as cores são reproduzidas em diferentes dispositivos: câmera, monitor e impressora

Compare as cores de uma mesma imagem. A primeira representação (da esquerda para direita) mostra a nossa maneira de enxergar. As demais, apresentam as cores como são reproduzidas em diferentes dispositivos: câmera, monitor e impressora

O fato é que o olho humano é capaz de enxergar uma variação enorme de cores, as quais os dispositivos não são capazes de reproduzir. Por exemplo: a câmera digital pode registrar uma faixa de cores maior do que a impressora pode reproduzir. É como se os dispositivos estivessem tentando se comunicar, porém cada um com a sua própria língua e sem um mecanismo de tradução entre eles.

Portanto, precisamos de um sistema que respeite os limites de cor de cada dispositivo, preservando a aparência dos arquivos e, principalmente, suas características colorimétricas (tom, luminosidade e saturação).

Um sistema de gerenciamento de cor é composto por um conjunto de ferramentas, cuja principal finalidade é aplicar o mecanismo tradutor, estabelecendo a correspondência de cor entre a imagem original e o resultado final. Mas se uma cor não puder ser reproduzida no monitor ou na impressora, o gerenciamento das cores não poderá obtê-la. Porém, ele será capaz de proporcionar previsibilidade, permitindo que todos os dispositivos se comuniquem através de uma única linguagem, sem gastar horas com tentativas frustradas e desperdícios de material.

O gerenciamento de cores deve uniformizar a reprodução de cores, nos diferentes dispositivos

O gerenciamento de cores deve uniformizar a reprodução de cores, nos diferentes dispositivos

Por que o gerenciamento de cores é importante?

Nenhum processo de produção deveria ser empírico. Normas e regras são necessárias, e devem ser seguidas dentro de uma rotina de trabalho. Essa sistemática evita erros, como ajustes indevidos de cor no tratamento de imagem e impressões com diferentes tonalidades. Portanto, o maior benefício trazido pelo gerenciamento de cor é a previsibilidade de resultados.

Faça o teste: crie um arquivo com o mesmo espaço de cor (RGB), no Photoshop. Pinte a cor do fundo com os seguintes valores: R = 155, G = 50 e B = 150. Pegue um dos arquivos e abra-o em outro monitor. Se a cor estiver diferente, um dos monitores (ou ambos) podem estar descalibrados. Como nas imagens abaixo:

fig_3a

fig_3b

Você já deve ter observado, em uma loja de eletrônicos, alguns televisores com diferentes tamanhos e modelos, agrupados como um grande mosaico e sintonizados na mesma programação. Porém, você percebeu que nenhum deles exibe as cores da mesma maneira.

Em razão disso, os televisores (monitores e impressoras também) não descrevem como uma cor se parece. Eles apenas interpretam-na. Chamamos estes dispositivos (RGB e CMYK) de dependentes, cuja interpretação de cor sempre será diferente de um dispositivo para outro.

Como o gerenciamento de cores funciona?

Com o crescimento do número de dispositivos, descobriu-se que nem mesmo impressoras e monitores da mesma marca, ano de fabricação ou modelo têm as mesmas características de reprodução de cor.

Para tentar sanar essa diferença e criar uma linguagem comum a todos os dispositivos, em 1993, o International Color Consortium (ICC), formado por um grupo de empresas líderes no desenvolvimento de sistemas para imagem digital, desenvolveu uma linguagem padrão para que os computadores pudessem compreender e traduzir as cores entre diferentes dispositivos. Essa linguagem é o gerenciamento de cores. Dentro dela, os diferentes "dicionários" são os perfis ICC.

Os perfis de cor são arquivos gerados por softwares e hardwares específicos, que descrevem os valores colorimétricos (tom, luminosidade e saturação) de um dispositivo RGB e CMYK, dentro de um espaço de cor CIELab.

CIELab é o mais amplo espaço de cor especificado, em 1976, pela Comissão Internacional de Iluminantes (CIE, Commission Internationale de l’éclairage).

O CIELab possui coordenadas numéricas que descrevem as cores por meio de três eixos:

  • L (Luminosidade): que vai de 0 a 100, mostrando a variação de cores mais claras e mais escuras;
  • a: representa a variação de cores do vermelho ao verde, bem como sua variação, que é de +128 a -128;
  • b: representa a variação do amarelo ao azul, cuja variação vai de +128 a -128.

Seu objetivo é servir como referência de cor independente do dispositivo, descrevendo todas as cores visíveis (que o olho humano é capaz de enxergar).

Representação gráfica do espaço de cores Lab

Representação gráfica do espaço de cores Lab

O perfil ICC é um dos elementos chave em um fluxo de trabalho digital. Mas não podemos achar que ele é a solução para todos os problemas, ainda mais sem considerar as variáveis de produção. Portanto, o controle de processo deve estar cada dia mais aprimorado a fim de garantir o perfeito funcionamento do gerenciamento de cores.

Para dar mais clareza ao assunto: quando criamos um novo arquivo (RGB, CMYK) através do Photoshop, é preciso designar, a este documento, um espaço de cor (ICC). Ou seja, a estrutura de dados de cor deste perfil é desenvolvida para ser interpretada por um software tradutor (CMM, Color Matching Module), que já vem na estrutura do software para tratamento de imagem. Por sua vez, ele transmite as informações recebidas para um espaço de cor independente (Lab), para trabalhar os valores em dois sentidos: o do dispositivo para o Lab e vice-versa.

Por exemplo: ICCs de monitores convertem valores de RGB para Lab e vice-versa. Enquanto que os de uma impressora inkjet convertem de CMYK para Lab e vice-versa. O valor RGB entra pelo ICC do monitor e é convertido para Lab. Esse mesmo padrão será utilizado com o ICC da impressora inkjet para transformar Lab em CMYK.

Ficou assustado? Lembre-se que isso já acontece no seu fluxo de trabalho. Para ajudá-lo a compreender a mecânica do sistema, observe a ilustração:

Observe o fluxo entre os dispositivos

Observe o fluxo entre os dispositivos

O que é necessário para utilizar um sistema de gerenciamento de cores?

Saber que o gerenciamento de cor está incorporado na maioria dos sistemas de processamento de imagem digital.

A forma mais eficaz de ter sucesso com o gerenciamento de cores é investir em conhecimento e tecnologia. São necessárias ferramentas como espectrofotômetro (instrumento de medição responsável pela leitura das amostras) e software de gerenciamento de cores (para interpretá-las).

No próximo artigo, falaremos sobre a utilização destas ferramentas para criação de perfis de cor.

Espectrofotômetro: fundamental para o gerenciamento de cores

Espectrofotômetro: fundamental para o gerenciamento de cores

 

Sobre o autor: Ronaldo Rufino (ronaldo@coralis.com.br) é formado em Artes Plásticas. Começou sua trajetória há 16 anos como fotógrafo. Até 2007, atuou como especialista digital pela divisão de fotografia Profissional da Kodak Brasileira, nas áreas de software, impressão e captura digital. Atualmente, faz parte da Equipe Coralis® (www.coralis.com.br) como consultor técnico para gerenciamento de cores em imagem digital.